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A história peculiar da múmia Takabuti, esfaqueada há 2.600 anos

Após 185 anos, pesquisadores resolveram um mistério sobre uma das múmias mais famosas do mundo. Mas encontraram outro: talvez ela nem fosse egípcia mesmo.

Por Bruno Carbinatto - 28 jan 2020, 18h38

Pesquisadores britânicos revelaram que a múmia Takabuti, uma das mais famosas do Reino Unido, morreu ao ser violentamente esfaqueada pelas costas durante a 25ª dinastia egípcia, há cerca de 2.600 anos. A múmia está exposta em Belfast, capital da Irlanda do Norte, desde 1835, mas só agora um estudo conseguiu identificar a causa de sua morte — além de outras informações, como a possibilidade da mulher não ter sido egípcia de fato.

Usando tomografia computadorizada, os pesquisadores encontraram marcas de ferimento de faca na parte superior do corpo de Takabuti, próximo a seu ombro esquerdo, além do material usado para cobrir o ferimento. O mesmo exame demonstrou que a múmia ainda tem seu coração bem preservado – estudos anteriores haviam indicado que o órgão teria sido retirado da mulher antes da mumificação, mas isso se revelou um erro de análise.

“Frequentemente se comenta que ela parece em paz em seu caixão, mas agora sabemos que seus últimos momentos foram tudo, menos pacíficos”, diz Eileen Murphy, bioarqueóloga da Queen’s University, e uma das responsáveis pela nova pesquisa.

Universidade de Manchester, Reino Unido/Reprodução

Acredita-se que Takabuti tenha morrido jovem, com idade entre 20 e 30 anos. Ela era provavelmente casada, visto que era senhora de uma grande casa em Tebas, onde hoje se encontra a cidade de Luxor. Seu pai, Nespare, era um sacerdote no Templo de Amon-Rá e sua mãe, Tasenirit, também era dona de uma casa. Dessa forma, a família provavelmente era rica para os padrões da época. 

Até então, imaginava-se que Takabuti teria morrido por causas naturais, possivelmente alguma doença não tratada. A nova pesquisa, porém, não identificou quem foi seu assassino, nem qual teria sido a motivação para o crime.

A equipe diz que as descobertas ajudam a entender melhor não só a vida de Takabuti, mas também como era o contexto e a demografia da sociedade egípcia na época. Desde 1835, quando chegou em Belfast após ser comprada em Tebas por Thomas Greg, um rico britânico, a múmia se tornou uma celebridade e uma das atrações mais famosas do Museu de Ulster. 

Estudos anteriores já haviam revelado outros detalhes sobre a moça, como o fato de seu cabelo ser estilizado e artificialmente cacheado durante a vida.

Origem incerta

A análise de DNA revelou que Takabuti era geneticamente mais semelhante aos europeus modernos do que aos egípcios modernos. Isso pode ser um indicativo de que ela era descendente de europeus caucasianos por parte de mãe, ou que ela mesma talvez fosse uma imigrante vivendo no Egito – embora não haja evidências sólidas disso.

Outra característica curiosa identificada pelos pesquisadores é que Takabuti tinha um dente a mais (33 ao invés de 32), algo que só ocorre em 0,02% da população. Não bastasse isso, a mulher também tinha uma vértebra extra, uma exclusividade de 2% dos humanos. Além de ser uma das múmias mais famosas do mundo após sua morte, Takabuti também era uma humana especial quando viva.

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