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Ahmad Shah Massoud

Justo no momento em que estava prestes a ganhar um aliado poderoso: os Estados Unidos.

Por Da Redação Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
31 out 2001, 22h00 • Atualizado em 31 out 2016, 18h21
  • Denis Russo Burgierman

    Você não deve nem se lembrar dos jornais de 11 de setembro. Com todos aqueles aviões batendo em prédios pela manhã, quem iria reparar numa notinha publicada num canto de página dando conta de que um tal Ahmad Shah Massoud sofrera um atentado e podia estar morto? Com tanta tragédia e confusão, quem iria parar para pensar que o suposto crime estava ligado aos ataques contra Nova York e Washington? A notícia seria confirmada dias depois: Massoud estava morto. O homem que infernizou os superpoderosos soviéticos por uma década, o leão de Panjshir, o guerrilheiro intelectual amado pelo Ocidente, o estrategista mitológico, o charmoso líder da Aliança do Norte, o defensor das mulheres afegãs, o Che Guevara da Ásia, o inimigo do Taleban fora finalmente derrotado, depois de 20 anos na linha de frente. Justo no momento em que estava prestes a ganhar um aliado poderoso: os Estados Unidos.

    Massoud não era um homem comum. Dono de um olhar firme, inteligente, era dessas raras pessoas impossíveis de não serem notadas. Um líder nato. Era também um intelectual – fã de literatura e assíduo leitor de Marx, possuía uma biblioteca de milhares de volumes. Mas abandonou os estudos e os livros em 1973, com 21 anos, quando o rei Zahir Shah foi deposto e o Afeganistão explodiu em guerra civil. Juntou 20 homens, dez metralhadoras Kalashnikov e foi lutar no vale do Panjshir, uma região cercada de montanhas no nordeste do país.

    Quando, em 1979, os soviéticos invadiram o Afeganistão com medo de que a confusão do país contaminasse as repúblicas muçulmanas da União Soviética, ele já comandava 3 000 homens na região. Os russos levaram 100 000 soldados, centenas de helicópteros e a certeza de que seria moleza. Doce ilusão.

    Esbarraram em diversos grupos de resistência, cada um atuando numa região. Muitos contavam com o apoio dos Estados Unidos – bin Laden, por exemplo, recebeu armas americanas. Mas Massoud, por seu estilo independente, nunca se deu bem com a CIA – e, ainda assim, virou o maior de todos os pesadelos dos invasores. Sua estratégia era tão inteligente que, hoje, qualquer russo que vá à escola militar tem que estudar suas táticas de guerrilha.

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    Por uma década, os soviéticos tentaram conquistar o vale do Panjshir. Na maior parte do tempo, os invasores sequer viam o inimigo. A tensão ia crescendo e não era raro que, irritados com meses de expectativa, acabassem matando uns aos outros. Até que os homens de Massoud faziam uma única ação fulminante e se retiravam de volta à segurança das montanhas, deixando os russos ainda mais nervosos. Foi com alívio que eles voltaram para casa em 1988. Massoud tinha vencido.

    Mas o país mergulhou em outra guerra civil, com diversas facções da resistência brigando pelo poder. Massoud tomou parte na briga. Essa é a época mais mal-explicada da sua vida. Embora não haja provas, seus homens são acusados de promover massacres na capital, Kabul. Em 1992, a situação no Afeganistão se acalmou e Massoud foi convidado a participar do governo. Encaixotou seus livros e começou a construir uma casa, certo de que os tempos turbulentos tinham acabado.

    Mas, em 1996, o Taleban tomou o poder e o leão de Panjshir voltou para sua área, sem sequer ter tempo de tirar os livros das caixas. Por cinco anos, liderou a Aliança do Norte, único obstáculo para que o Taleban conquistasse o país todo. Virou o pior inimigo do líder taleban, o mulá Omar, e de Osama bin Laden. Viajou para a Europa, defendendo os direitos das mulheres, criticando o fundamentalismo e pedindo apoio para o seu exército. Foi muito bem recebido. Embora dissesse sempre que não tinha pretensões políticas, era um candidato natural à presidência.

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    No dia 9 de setembro de 2001, foi procurado por dois jornalistas. Como sempre fazia, concordou em dar entrevista (um hábito oposto ao de Omar, que odeia a mídia e nunca mostra a cara). De repente, a câmera fotográfica explodiu. Era um atentado suicida, provavelmente comandado por bin Laden.

    Editor especial da Super

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