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Erupção do Monte Vesúvio transformou cérebro de vítima em vidro

O desastre, que no passado deixou a cidade de Herculano sob cinzas, causou milhares de mortes – inclusive a de um homem cujo tecido cerebral foi vitrificado. Entenda.

Por Carolina Fioratti 23 jan 2020, 18h12 | Atualizado em 4 jun 2026, 15h22
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A erupção do Monte Vesúvio no ano 79 d.C. é relembrada pelas milhares de vítimas que foram deixadas. O desastre destruiu as cidades ao redor, principalmente Pompeia e Herculano, que foram tomadas pelas cinzas do vulcão. 

A região segue como um espaço de pesquisa para cientistas de diversas áreas 一 e não para de surpreender, mesmo após tantos anos. E agora, pesquisadores afirmam que, devido ao calor extremo, o cérebro de uma vítima se converteu em vidro, algo nunca antes observado.  

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(sestovic/Getty Images)

Pier Paolo Patrone, co-autor do estudo da Universidade de Nápoles Federico II, disse ao jornal The Guardian que só foi possível observar o fenômeno quando as pesquisas se voltaram para a região do Collegium Augustalium, um prédio na cidade de Herculano. O homem com o cérebro vitrificado era, provavelmente, uma espécie de zelador da construção. 

O pesquisador identificou, de longe, respingos de um material preto, sólido e brilhante, que se encontrava no crânio do indivíduo. Ele supôs que aquilo se tratava do cérebro, mas faltava comprovar. Depois da realização de testes, foi visto que as substâncias do material, incluindo algumas proteínas, eram as mesmas encontradas no tecido cerebral. 

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Foi a primeira vez que algo do tipo foi observado. Na verdade, cérebros raramente se mantém preservados. Geralmente, eles se decompõem ou vira sabão – gorduras do tecido se convertem em glicerol e sais de ácidos graxos.

Como o cérebro virou vidro?

O calor ao qual o zelador foi submetido era nada mais, nada menos que 520 ºC, valor 11 vezes maior que a temperatura mais alta que o Brasil já atingiu. O homem, que tinha em torno de 25 anos, estava deitado de bruços sobre uma cama de madeira, provavelmente dormindo no momento do desastre.

A substância vista em seu crânio também pode ser encontrada em plantas e animais, mas jamais foram expostas em outros relatos das escavações. Além disso, outros fatores comprovam a vitrificação do cérebro em razão das altas temperaturas.

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Análises da madeira carbonizada mostram que ela realmente enfrentou uma temperatura de 520º. Outro ponto é que, além da madeira, o crânio e outros ossos da vítima explodiram e ficaram carbonizados. Em todos esses foi possível encontrar fragmentos de vidro. 

“Isso sugere que o calor radiante extremo foi capaz de inflamar a gordura corporal e vaporizar os tecidos moles; uma rápida queda de temperatura se seguiu”, relatou a equipe em sua tese para explicar a transformação. O cérebro, superaquecido, virou vidro quando esfriou rapidamente.

Além dos sinais de vidro, foi encontrada ao redor do peito uma massa sólida e esponjosa, sendo provavelmente uma mistura de seus órgãos. Um fim nada feliz para o pobre zelador.

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