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Estrela do Oriente

200 - 600<br>Com o esfacelamento do Império Romano na Europa Ocidental, Constantinopla virou a capital do mundo

Texto Rui Dantas e Eduardo Lima

O exército de Roma era poderoso, mas não foi capaz de defender para sempre o gigantesco território sob sua responsabilidade. No final do 3º século da era cristã, o império ameaçava se desintegrar, assolado por guerras civis, invasões bárbaras e tentativas de golpe de Estado. Disposto a colocar ordem na confusão, o imperador Diocleciano decidiu, em 286, dividi-lo em duas partes: uma metade, a oeste, viraria o Império Romano do Ocidente; a outra, a leste, seria o Império Romano do Oriente. Diocleciano não sabia a bobagem que estava fazendo.

Menos de 50 anos depois, em 330, o então imperador Constantino fez da antiga colônia grega de Bizâncio a capital do Império do Oriente. Reconstruiu inteiramente a cidade, rebatizou-a de Nova Roma e fixou residência por lá. O novo nome, contudo, acabou não pegando, e a capital ficaria realmente famosa como Constantinopla. A porção ocidental do império continuou sendo fustigada por bárbaros, até cair de uma vez, em 467. O lado oriental, por sua vez, não só resistiu como floresceu. E continuou a existir por mais de 1 000 anos, agora chamado Império Bizantino.

ENQUANTO IS, NA AMÉRICA DO SUL… LINHAS DE NAZCA

A cultura nazca está dominando regiões desérticas no Peru, graças a canais subterrâneos de irrigação que funcionam até hoje. O povo era basicamente formado por agricultores, pescadores e tecelões de algodão e lã de lhama. O feito mais conhecido dessa civilização sul-americana, no entanto, são as famosas linhas de Nazca: desenhos gigantes no chão, que só podem ser vistos do céu. Ninguém sabe qual era a função deles.

200

ÁFRICA E O. MÉDIO
• O reino de Axum, na Etiópia, torna-se o maior centro comercial da África subsaariana.

ÁSIA E OCEANIA
• O comércio entre a Ásia e o Império Romano entra em declínio.
• Após o colapso da dinastia Han, a China se divide em 3 Estados: Wei, Wu e Shu.

EUROPA
• Começa a primeira grande onda de ataques bárbaros contra o Império Romano.

300

AMÉRICAS
• Teotihuacán chega a 150 mil habitantes e atinge o ápice de sua sofisticação cultural.

EUROPA
• Vândalos e outros povos germânicos invadem a província romana da Gália.

400

AMÉRICAS
• Os maias criam um calendário solar com o ano dividido em 365 dias.
• A cidade maia de Chichén Itzá é fundada na península de Yucatán.

ÁFRICA E O. MÉDIO
• Os vândalos invadem o norte da África pela Espanha e conquistam Cartago.

EUROPA
• Povos anglos e saxões ocupam as Ilhas Britânicas.

500

EUROPA
• Roma é destruída por uma invasão bárbara de ostrogodos.

ÁSIA E OCEANIA
• Astrônomos indianos descobrem que a Terra gira em torno de seu próprio eixo.

600

Expansão do cristianismo
Muita gente tentou, mas ninguém conseguiu evitá-la

A fé cristã surgiu como uma espécie de dissidência clandestina do judaísmo e foi perseguida pelo Império Romano. Mesmo assim, ninguém conseguiu segurar sua expansão. Missionários como o apóstolo Paulo (mais tarde transformado em santo) trataram de disseminá-la ao longo do século 1, espalhando a mensagem de Jesus por todo o Mediterrâneo Oriental. Em 313, quando o imperador romano Constantino 1º passou a tolerar o cristianismo (leia o quadro abaixo), a religião já era uma das maiores do mundo em número de seguidores.

Imperador cristão
Constantino virou santo da Igreja Ortodoxa

O ato mais importante do imperador Constantino (foto) durante seus 31 anos de governo, de 306 a 337, foi oficializar o cristianismo como principal religião de Roma. A “mãozinha” dada por ele à disseminação da fé cristã na Europa e em parte do Oriente Médio foi tão importante que a Igreja Católica Ortodoxa acabou por canonizá-lo.

Moeda forte
O dinheiro do Mediterrâneo

Até 1453, quando capitulou diante dos otomanos, Constantinopla foi a mais rica metrópole mundial. A cidade concentrava o comércio de especiarias da Índia, trigo do Egito, seda e porcelana chinesas e peles da Rússia. Tamanha era sua relevância econômica que o dinheiro bizantino foi a moeda ofi cial no Mediterrâneo durante mais de 700 anos.