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Mulheres que mudaram a história: Angela Merkel

De todas as chefes de Estado mulheres do mundo, ela é a mais poderosa. Comanda desde 2005 a quarta maior economia do planeta - e a maior da Europa

O que é: primeira-ministra
Onde vive: Alemanha
Quando nasceu: 1954

Na Alemanha Oriental, onde nasceu e viveu por 35 anos de sua vida, Angela Merkel era uma pesquisadora com Ph.D. em química. Sonhava em conhecer a Califórnia, mas jamais tinha ido mais longe do que a Hungria.

Tinha 7 anos quando o Muro de Berlim foi construído e cresceu em uma sociedade paranoica, em que uma parcela significativa da população denunciava os vizinhos para o governo. Tudo isso mudou em 1989.

Com a queda do muro e a reunificação da Alemanha, Angela se tornou uma referência política. Foi ministra das Mulheres e da Juventude entre 1991 e 1994, quando mudou para o Ministério do Meio Ambiente, onde ficou até 1998.

Seu partido, a União Democrata Cristã, deixou então o poder. Merkel se tornou a chefe do grupo em 2000. Em 2005, conseguiu se tornar a primeira-ministra da Alemanha. Em 2017, foi reeleita para o quarto mandato.

Filha de pastor
No começo de seu primeiro mandato, a primeira-ministra parecia uma pessoa excessivamente lenta nas decisões. O tempo provou que ela era paciente, sim, mas decidida. Sob seu governo, a Alemanha se transformou na liderança incontestável da União Europeia.

Filha do pastor luterano Horst Kasner, ela passou a juventude na parte oriental de Berlim. Estudante de boas notas, muito tímida, ela seguiu carreira acadêmica em áreas científicas.

Concluiu a faculdade de física na Universidade de Leipzig, onde conheceu seu primeiro marido, Ulrich Merkel – ela depois se casaria com um químico com quem vive até hoje, Joachim Sauer.

Duas Crises
Sob o governo de Angela, a União Europeia passou por seus dois maiores testes. O primeiro foi a falência da Grécia. A premiê se mostrou irredutível: o país tinha que fazer ajustes fiscais antes de receber novos empréstimos.

Diante do tamanho da crise grega e dos altíssimos índices de desemprego, a postura da governante alemã soou intransigente. Barack Obama, então presidente americano, chegou a pedir a Merkel que reconsiderasse sua posição. Ela não abriu mão.

A nova dificuldade para o bloco europeu apareceu no ano passado, quando o Reino Unido resolveu abandonar a União Europeia. Merkel buscou apoio na França para manter a coesão.

No cenário interno, a primeira-ministra vem sustentando um período de crescimento da economia e modernização do parque industrial – foi a Alemanha um dos primeiros países a integrar a seu sistema produtivo as novas tecnologias, como a nanotecnologia e a inteligência artificial.

Curiosamente, Merkel, a líder da Europa, é mais uma das mulheres poderosas da história com formação em química. Como Tapputi, 3.200 anos antes dela

 

SEUS GRANDES ACERTOS

  • Melhorou a Alemanha
    Sob sua gestão, o país gerou empregos, viu a economia crescer e aumentou as parcerias no exterior, em especial com a China
  • Recebeu imigrantes
    A Alemanha é o país mais aberto para palestinos, sírios e africanos perseguidos. Todos ganham casa e aprendem a falar o idioma local
  • Manteve a União Europeia
    Diante de momentos de dificuldades políticas e econômicas, a primeira-ministra conseguiu garantir a continuidade do bloco

SEUS GRANDES FRACASSOS

  • Começou mal
    Em seus primeiros meses de mandato, diante de uma coalisão partidária frágil, a premiê parecia perdida e sem poder de decisão
  • Defendeu a espionagem
    Antes de os grampos realizados pelos EUA se tornarem públicos, Merkel argumentou pela investigação da vida privada na internet
  • Atacou a união estável
    O casamento entre pessoas do mesmo sexo só foi discutido depois que ela mudou de ideia sobre o tema – a princípio, era contra

DICA DE FILME
O documentário Angela Merkel – Surpreendente, de 2016, retrata a rotina da primeira-ministra

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