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Negligência criminosa

O proprietário de uma loja de departamentos em Seul fez tudo errado na construção do prédio. No dia em que o edifício caiu, ele ignorou todos os alertas para não perder um dia de vendas

Por Da Redação - Atualizado em 31 out 2016, 18h16 - Publicado em 2 fev 2013, 22h00

Tiago Cordeiro

Desabamento
Coreia do Sul – 1995  – 501 mortos  – 937 feridos

As 40 mil pessoas que visitavam a loja de departamentos Sampoong todos os dias estavam acostumadas a sentir as paredes vibrando. Em 29 de junho de 1995, o problema estava ainda mais evidente. Às 12h30, o ar-condicionado foi desligado – o gerente acreditava, com razão, que os 3 aparelhos, de 15 toneladas cada um, tinham uma parcela de culpa. Às 16h, uma reunião foi convocada para discutir o problema. As rachaduras nas paredes do 5o andar tinham aumentado 5 cm de largura desde a manhã. O engenheiro responsável pela manutenção pediu a evacuação imediata do local. Depois de consultar o proprietário, o gerente se recusou a fechar as portas. Não queria perder o dia de vendas.

Às 17h57, o teto veio abaixo e arrastou consigo o resto do prédio. Havia cerca de 1500 pessoas no local, entre clientes e funcionários (os executivos da empresa tinham ido embora logo depois da reunião). Depois de dois dias de busca, a prefeitura anunciou que não havia esperanças de encontrar sobreviventes. Mas eles estavam lá. Park Seung Hyun, de 19 anos, foi resgatada depois de 16 dias.

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A investigação deixou claro que o desabamento era questão de tempo. “É surpreendente que o edifício tenha ficado em pé durante 5 anos, tantas eram as irregularidades do projeto”, diz o engenheiro coreano Jungsuck Huh, professor da Universidade de Ottawa, no Canadá.

Inaugurada em 1990, a loja foi desenhada por seu proprietário, Lee Joon. Para instalar escadas rolantes, foi preciso retirar colunas do prédio, que tinha 4 andares. Quando a construtora se recusou, Joon trocou de empresa. Ele repetiria a atitude meses depois, quando decidiu erguer um 5o andar sem saber se o local resistiria ao peso.

Em 1995, Joon foi condenado a 10 anos e 6 meses de prisão, assim como os fiscais da prefeitura Lee Chung-Woo e Hwang Chol-Min, que receberam propina para autorizar as obras. O empresário cumpriu 7 anos e morreu poucos dias depois de deixar a cadeia. Seu patrimônio foi bloqueado para garantir o pagamento de US$ 216 milhões em indenizações para as vítimas. O governo sul-coreano resolveu fazer um levantamento na situação dos prédios do país. Descobriu que 14% colocavam a vida dos frequentadores em risco.

 

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