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O que é a Ku Klux Klan?

Então o chefe seria o "Cíclope Máximo"; o secretário, o "Grande Escriba". E por aí vai. O nome da irmandade precisaria ser algo indecifrável, imaginavam.

Por Eliano Jorge 31 mar 2006, 22h00 • Atualizado em 31 out 2016, 18h23
  • Começou como uma brincadeira. Em 1865, 6 jovens da cidadezinha americana de Pulaski, Tennessee, resolveram espantar o tédio de um jeito diferente: fundar uma microssociedade secreta, tipo uma maçonaria particular. Bem-humorados, decidiram que os membros receberiam títulos engraçados. Então o chefe seria o “Cíclope Máximo”; o secretário, o “Grande Escriba”. E por aí vai. O nome da irmandade precisaria ser algo indecifrável, imaginavam. Um deles sugeriu a palavra grega kyklos – que quer dizer círculo (de amigos, no caso). Outro achou que isso cairia bem com a palavra clã. E ficou Ku Klux Klan. A curtição deles era cavalgar à noite, incógnitos sob lençóis e fronhas brancas, para desconcertar os vizinhos. Nada demais. Só que aí a sociedade de brincadeira foi juntando cada vez mais membros. E a coisa degringolou. O movimento racista estava no auge, já que os escravos acabavam de ser libertados pelos vencedores da Guerra Civil Americana, os estados do Norte. E as cavalgadas noturnas viraram perseguições a negros. Em um ano a Klan já tinha virado uma organização assassina. Presente em vários estados, tinha ex-generais sulistas entre os cabeças e contava com o financiamento de agricultores, prejudicados pela alforria. Depois de inúmeros linchamentos, estupros, castrações, incêndios e enforcamentos, a Klan finalmente foi reconhecida como uma entidade terrorista e acabou banida pelo governo americano em 1872. Voltaria em 1915, mas foi perdendo prestígio ao longo do século 20. Hoje, ela tem uns 3 mil membros, que se dedicam a distribuir panfletos racistas. Ah, claro: é apenas um entre os mais de 700 grupos dedicados ao ódio em atividade nos EUA.

    Terror virtual

    Houve mais linchamentos de negros nos EUA quando a Klan estava proibida do que quando ela voltou em 1915. Foram cerca de 2 mil entre 1890 e 1909; e “só” 400 entre 1920 e 1939. É que a imagem da KKK já metia tanto medo que eles nem precisavam agir muito para deixar a população negra aterrorizada.

    Ave, César

    A saudação tradicional da KKK parece a dos nazistas. Mas é só coincidência: as duas têm origem romana. Mas não é por acaso que a Klan tenha se associado a grupos neonazistas dos EUA. Hoje eles também são contra judeus, árabes, hispânicos…

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    Com que roupa eu vou?

    Hoje há pouca unidade na Klan, e o poder, na prática, é descentralizado. O que resiste são os modelitos feitos para destacar as hierarquias mais altas da massa de lençóis brancos: o manda-chuva local veste vermelho; a polícia secreta, preto.

    Nonsense

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    A Klan tradicional louvava a Deus e ao Diabo. Hoje os membros se dizem “cristãos brancos”. Mesmo assim, o nome de seu livro sagrado faz uma alusão ao Alcorão, islâmico. É o Kloran (ou “Klorão”).

    Nação fantasma

    A bandeira dos 13 estados separatistas do Sul virou símbolo racista. É reverenciada pela Klan, e por mais gente do que se imagina: em 2001, um plebiscito apontou 65% de votos pela manutenção dela como bandeira do estado do Mississippi.

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    A vida imita a arte

    O cineasta D.W. Griffith enche a bola da KKK na superprodução O Nascimento de uma Nação (1915), que pinta a Klan como um grupo de nobres cavaleiros que salvaram o Sul dos EUA da “anarquia negra”. Turbinada pelo sucesso do filme, a organização voltou na hora à ativa, após 43 anos de ostracismo.

     

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