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Os egípcios já cultivavam melancia há mais de 3,5 mil anos

Uma folha encontrada em uma tumba egípcia durante o século 19 fornece pistas para a origem do cultivo da fruta

Por Rafael Battaglia - 24 Maio 2019, 19h09

Não é só a Magali que é fã de uma boa melancia. A fruta é uma das mais produzidas em todo mundo, junto com a banana, a maçã e o tomate (que, sim, é fruta). Em 2017, a produção da Citrullus lanatus  – o nome científico da melancia – atingiu 197,8 milhões de toneladas. Haja semente para cuspir.

Mesmo com toda essa popularidade, as origens da melancia ainda são incertas. Pesquisas indicam que o início da domesticação do alimento pelos humanos aconteceu na África, mas ninguém sabe estimar quando e em que região do continente isso começou.

Agora, um novo estudo, publicado na última segunda (20), fornece mais pistas para este mistério. Uma análise de DNA em folhas de melancia encontradas em tumbas egípcias revelou que, há pelo menos 3,5 mil anos, o Egito Antigo já cultivava a fruta da forma como a conhecemos.

A saga da melancia

Você deve estar se perguntando: “domesticação da melancia?”. Pois é. Originalmente, as melancias selvagens eram bem diferentes das que estamos acostumados a comer, com sabor mais amargo, pequenas e com o interior todo branco – bem menos suculentas das que aparecem nos desenhos animados.

Com o passar dos séculos, a humanidade descobriu qual variação era a mais gostosa e, com um pouco de seleção artificial, prevaleceram aquelas que conhecemos: grandes, com várias sementes e de “carne” vermelha.

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A folha encontrada na tumba foi achada no século 19, mas quase não havia sido estudada. Quando a botânica Susanne Renner, da Universidade de Munique, na Alemanha, descobriu a sua existência, reuniu uma equipe de pesquisadores para analisar o seu DNA.

A parte sequenciada do genoma da planta revelou duas informações importantes. A primeira delas é a de uma mutação que desativou o gene controlador da produção da cucurbitacinas – composto químico responsável pelo amargor da fruta. Os egípcios, portanto, já tinham dominado a espécie, pelo menos a ponto de selecionar as frutas para serem docinhas.

 

A segunda descoberta é a de um gene responsável por uma enzima que transformava o licopeno (pigmento vermelho) em outra substância. Durante a pesquisa, os cientistas observaram que ele também estava desativado. Resultado: além de doce, a melancia egípcia também era vermelha.

A fruta também já deu as caras em outros momentos, sendo representada em, pelo menos, três paredes de túmulos egípcios. A pesquisa recente sugere, ainda, uma relação entre a melancia egípcia com uma variedade de cor branca que era cultivada no Sudão. Os pesquisadores acreditam que o cultivo do alimento pode ter surgido ali e se espalhado ao longo do rio Nilo, evoluindo gradativamente no quesito qualidade. Agora, Magali já sabe a quem agradecer.

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