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Menino do Acre voltou – relembre seu grande inspirador

Em uma era de opressão da Igreja Católica, o filósofo italiano afirmou que o universo é infinito – e que cada estrela tem seus próprios planetas

Sexta-feira, 11 de agosto. Bruno Borges, o Menino do Acre, voltou para casa. A polícia já informou que ele só dará depoimento amanhã – hoje ele será deixado em paz com a família. Sua longa ausência ainda não foi justificada.

Relembrando o inesquecível: há quase cinco meses, em 27 de março, o “menino”, que na verdade tem 24 anos, desapareceu. Deixou para a família um quarto repleto de códigos escritos na parede e 14 grossos livros manuscritos. A criptografia era juvenil, extremamente simples de decifrar, e os tais manuscritos, bem… agora você pode vê-los por contra própria. O primeiro volume de Borges, intitulado TAC: Teoria da Absorção do Conhecimento, foi decodificado e está sendo vendido pela editora Arte e Vida por R$ 24,50. Segundo o site especializado Publish News, a obra chegou a alcançar o vigésimo lugar na lista de livros de não-ficção mais vendidos do país entre os dias 24 e 30 do mês passado. 

Parte do hype em torno da história é culpa de um toque especial na decoração do quarto misterioso. No centro do cômodo, o ex-desaparecido deixou uma estátua de 10 mil reais do filósofo Giordano Bruno (1548-1600), por quem tem grande admiração. Mas quem foi, afinal, Giordano Bruno – ídolo e xará do rapaz desaparecido –, e o que seu pensamento tem a ver com o do estudante?

Filósofo, matemático, astrônomo, poeta e teólogo – seu currículo é maior que uma nota fiscal de compra do mês. O frade italiano nascido em 1548 entrou para a história após questionar abertamente crenças fundamentais da Igreja Católica, como a existência de céu e inferno, a danação eterna e a concepção de Cristo por uma mulher virgem.

Bruno também era uma espécie de herdeiro intelectual do heliocentrismo de Nicolau Copérnico, e não se limitou a concordar que a Terra é que dava voltas em torno do Sol – o que na época, por si só, era o suficiente para morrer na fogueira dos tribunais eclesiásticos. Observando o céu, foi além e concluiu que as estrelas não eram só pontos de luz, mas outros “sóis” muito distantes. Cada um teria seu próprio conjunto de planetas girando em torno de si, e qualquer um desses corpos poderia abrigar vida – doutrina visionária que ganharia o nome de “pluralismo cósmico”.  

Na obra A Causa, o Princípio e o Uno, ele diz: “o universo é, então, uno e infinito (…) Não é possível compreendê-lo e ele não tem limites. Nesse sentido, ele é indeterminável, e consequentemente imóvel.” Em Sobre o Infinito do Universo e os Mundos, Bruno também afirma que outros planetas “não têm menos virtude nem uma natureza diferente da de nossa Terra”, e, como ela, “contêm animais e habitantes.” Por trás de sua visão de infinito estava o panteísmo: a crença de que Deus não é uma figura metafísica separada do universo palpável, mas que ambos estão em completa identificação e são, no fundo, a mesma coisa. 

O filósofo, apesar da perseguição, chegou a lecionar Aristóteles na Universidade de Halle-Wittenberg, uma instituição de ensino alemã luterana – os protestantes, fiéis a seus princípios de livre interpretação da Bíblia, toleraram sua subversão teórica por mais tempo que católicos tradicionais. 

Ele foi queimado em 1600, e se tornou um mártir dos iluministas no século 19. Até hoje é símbolo da liberdade de pensamento e expressão, e suas ideias estão na vanguarda da astronomia contemporânea: o telescópio Kepler, lançado pela Nasa em 2009, já identificou mais de 2,3 mil dos mundos distantes que habitavam os sonhos de Giordano Bruno. No ano passado, o Observatório Europeu do Sul (SEO) anunciou a descoberta de Proxima B, exoplaneta com temperaturas médias de 30º e água líquida – e um forte candidato a abrigar vida como a conhecemos.

Não bastasse uma Terra 2.0 tão próxima de nós (meros 4,2 anos-luz, um pulinho na escala cósmica), também há uma área de pesquisa interdisciplinar que une biólogos, bioquímicos e cientistas planetários em uma tentativa de imaginar como a vida poderia surgir sem oxigênio, carbono e outros elementos da tabela periódica essenciais para a biologia terráquea. Chamada Astrobiologia, ela já tem até representantes brasileiros, e a Universidade de São Paulo lançou recentemente um e-book gratuito sobre o assunto.

Quanto a Bruno, bem… agora se sabe que ele não está em um exoplaneta. Depois de arrumar o quarto, ele terá que explicar à polícia a troco de quê pregou uma peça capaz de mobilizar um país inteiro. E, talvez, ir à livraria buscar seu primeiro cheque.

Comentários

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  1. Luiz Roberto Turatti

    ● “Isso non eczisteeeeeee!!!” “É tudo tcharlataniceeeeee!!!” “Demônios, exus, ondinas, salamandras, larvas astrais, ETs, espíritos dos mortos, venham TODOS contra mim! POR FAVOR!”. (Jesuíta Prof. Dr. Padre Oscar González-Quevedo – Especialista em Parapsicologia).

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  2. Filipe Fenner

    Olhem esse vídeo pra entender o que realmente aconteceu com Bruno Borges: https://youtu.be/gaJbtQqou2E

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  3. Fernando Sanches

    Sim. Está muito estranho esse desaparecimento e existem muitas coisas boas ou ruins que podem estar acontecendo. Mas tipo assim, caso esse rapaz volte e publique seus livros, estará mais que confirmado que é mutreta! Torço para que não seja. ¨_

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  4. Emerson Bassinello Tomasini Lango

    Reencarnação não existe, é tudo crendice, os espiritas querem enfiar goela abaixo das pessoas essas doideiras. O espiritismo/espiritice já nasceu de fraudes como a farsa das irmãs Fox e evolui até hoje de farsa em farsa, nada provado pela ciência séria e atual. O grande Houdini já detonou esse pessoal espirita mostrando como as sessões espiritas são fajutas. Mediuns famosos fingem falar com o “além” e escrevem o que querem para lucrar com livros e palestras, fazem caridade para serem considerados santinhos e ninguem duvidar deles, de suas mentiras e ficarem famosos. Chico Xavier tinha problemas mentais, por isso achava que via fantasmas, queria ser considerado Santo e ser muito famoso. Andava com uma charlatã chamada Otilia Diogo que se vestia de fantasma para enganar as pessoas. Essas psicografias que fazem são cheias de invenções e o Chico e os “médiuns” atuais antes das sessões coletam informações sobre as pessoas falecidas com os ingênuos e emotivos parentes da pessoa que morreu, fiéis espiritas são pessoas muito ingênuas e acreditam em QUALQUER coisa sem antes duvidar. Tem as frases racistas anti-negros de Allan Kardec. É tanta mentira e baboseira que daria para escrever uma enciclopédia.

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  5. Jean Miranda

    é tudo mintira o acre nao existe

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  6. Cintya Cordeiro

    Sentindo aaquele cheiro de marketing maroto no desaparecimento desse “garoto”. Garoto some, e depois pai faz vídeo com cara de arrependido, afirmando que agora acredita no filho, e daqui pra frente vai fazer tudo como ele queria (inclusive publicar os livros). Chantagem emocional com a família e golpe de marketing pra vender os livros (porque agora o Brasil inteiro quer saber o que ele tanto escreveu naqueles livros) numa tacada só. Sem dúvida o muleque é um gênio :/

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  7. O simples fato de haver algo que não se pode explicar implica em um ceticismo cômico que me faz rir bastante, porém ao meu ver o ser humano sempre irá buscar uma explicação não “lógica” sobre algo que este não pode explicar com palavras, até o cético acaba por acreditar em algo, ainda havemos de evoluir muito para entendermos o quão complexa é a nossa existência. Por hora, vive-se da fé da confiança do desconhecido já que atitude da fé implica a aceitação do mistério.

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  8. Francisco Carneiro Neto

    Bom, leram tudo sobre o Giordano Bruno neste artigo?! Agora esqueçam tudo o que estes comunisteens cheios de espinha na cara que infestam a redação da SI, e APRENDAM REALMENTE quem foi o herético charlatão que a Igreja Católica NÃO queimou:

    http://sensoincomum.org/2017/04/07/giordano-bruno-super-desinteressante/

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