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Quem foi Jesus?

O que a ciência (e não os religiosos) sabem de verdade a respeito do homem que viveu na Palestina no século 1

Por 1 jun 2007, 01h00 • Atualizado em 31 out 2016, 18h22
  • Rodrigo Cavalcante

    Nos filmes da Sessão da Tarde, Jesus quase sempre é interpretado por um ator de pele branca, cabelo longo, barba castanha, olhos claros, enfim, alguém mais parecido com um hippie saído de uma universidade da Califórnia do que com um homem que nasceu na Palestina do século 1.

    Mas, se o problema dos pesquisadores fosse apenas tentar reconstituir a fisionomia de Jesus, tudo seria mais fácil – até porque, segundo os arqueólogos, ele deveria se parecer mais com um árabe do que com os atores de filmes de Hollywood.

    A questão que sempre intrigou os arqueólogos é a busca do chamado Jesus histórico, ou seja, a figura histórica de Jesus sem os constrangimentos da teologia ou da fé. Para esses pesquisadores, os Evangelhos não podem ser tomados como registros da história, e sim como testemunhos de fé, escritos décadas depois da morte de Jesus. Sem levar a sério os Evangelhos como registros documentais – e sim interpretativos –, o que os arqueólogos sabem, enfim, sobre o judeu que morreu crucificado em Israel há quase 2 000 anos?

    Muito pouco. Do ponto de vista documental, a única referência direta a Jesus feita por um não cristão no século em que ele viveu está na obra do historiador judeu Flávio Josefo, escrita entre as décadas de 70 e 90, que faz uma menção discreta a “um homem sábio” que viveu no tempo de Pilatos. Em outro trecho, o escritor faz referência a Tiago, irmão de Jesus, “cognominado de Messias”, que teria sido entregue para ser apedrejado.

    Irmão de Jesus? Isso mesmo: para os pesquisadores, é provável que Jesus, de fato, tenha tido vários irmãos, teria nascido em Nazaré – e não em Belém – e sua morte passara praticamente despercebida pelos romanos na época. Veja no quadro ao lado as diferenças entre a versão tradicional e a versão dos arqueólogos e historiadores sobre a vida do homem que inspira fé em mais de 2 bilhões de pessoas.

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    Um Jesus, dois perfis

    Saiba até que ponto a tradição se choca com a Arqueologia

    Data de Nascimento

    Tradição – Ano 1

    Arqueologia – Entre os anos 6 e 4 a.C, no final do reinado de Herodes.

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    Local de Nascimento

    Tradição – Belém

    Arqueologia – Nazaré. Para os arqueólogos, a versão de que Jesus nasceu em Belém é uma alegoria do Evangelho para ligá-lo ao rei Davi, natural dessa cidade.

    Nível de escolaridade

    Tradição – Alta, com capacidade de leitura e interpretação de textos eruditos.

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    Arqueologia – Analfabeto, como a maioria dos camponeses – o que não o impediria de ter um profundo conhecimento das tradições orais religiosas de seu tempo.

    Religião

    Tradição – Judaica

    Arqueologia – Judaica

    Círculo familiar

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    Tradição – Filho único de Maria, concebido pelo Espírito Santo.

    Arqueologia – Filho de Maria e José, cercado por vários irmãos. O próprio Evangelho faz referência a irmãos de Jesus – que, posteriormente, foram considerados “irmãos de fé”.

    Estado civil

    Tradição – Celibatário

    Arqueologia – Apesar de não haver indício de que Jesus foi casado, os historiadores afirmam que era natural que um líder religioso tivesse uma mulher.

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    Traços físicos

    Tradição – O Ocidente fixou sua imagem como a de um Europeu branco, em contraponto aos muçulmanos, de pele mais escura.

    Arqueologia – De acordo com os pesquisadores, Jesus teria uma feição semelhante à de um árabe.

    Morte

    Tradição – De acordo com a tradição, a morte e a ressurreição de Jesus estremeceram o Império Romano na época.

    Arqueologia – Para os historiadores, se houvesse um jornal no dia seguinte à crucificação, a morte de Jesus talvez nem fosse noticiada.

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