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O bacana é ser frugal

A crise financeira fez o que os ambientalistas lutam há décadas para conseguir: controlar a gastança dos americanos

Por Da Redação Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
26 fev 2011, 22h00 • Atualizado em 31 out 2016, 19h00
  • Texto Jeanne Callegari

    Americanos comprando menos, passando os sábados em casa, bebendo água da torneira? Há dois anos, esse cenário seria motivo de piada. Mas, depois da crise financeira, virou fato. É a nova frugalidade: sem grana para torrar, a nação mais consumista do planeta passou a dar valor a um modo de vida mais simples. Para isso, adota hábitos que sua avó já tinha, como ter horta em casa e até – quem diria – dirigir menos.

    Ainda é cedo para afirmar que essa mudança veio para ficar, mas alguns dados apontam para isso. Pesquisa do Centro de Pesquisa Pew diz que 50% dos entrevistados acham que os americanos devem aprender a viver com menos. “A tendência do ser humano é dar vazão aos desejos, sem pensar no futuro. Mas um trauma pode levar as pessoas a adotar hábitos austeros de forma permanente”, diz o pesquisador Mário Renê, coordenador do Núcleo de Ciências do Consumo Aplicadas da ESPM, em São Paulo. Isso aconteceu após a crise de 1929, que gerou pessoas mais econômicas.

    A tendência, talvez, já venha de antes do baque financeiro. O estatístico Nate Silver levantou quantos quilômetros os americanos estavam dirigindo depois da crise, e descobriu que o número era menor que o esperado. Até aí, normal. Só que, pelas contas dele, a queda é grande demais para ser explicada apenas pela recessão e pela alta no preço dos combustíveis. Para ele, o número já vinha caindo antes disso e aponta para uma mudança de mentalidade. Se for esse o caso, a crise foi só o empurrão que faltava para as pessoas adotarem hábitos simples.

    Essa mudança de pensamento pode ser vista no mundo todo em movimentos pregando estilos de vida frugais, como o Simplicidade Voluntária (que diz que devemos viver com pouco) e o Um Dia Sem (que incentiva a pessoa a passar um dia sem carro ou sem comprar, por exemplo). As pessoas começam a questionar a ideia de que o consumo desenfreado seja a melhor forma de atingir a felicidade.

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    Isso não significa necessariamente comprar menos, mas também comprar melhor. Produtos com vida útil curta perdem espaço para outros que duram bem mais, por exemplo. “Muitos consumidores preferem algo atemporal, que vá durar mais de uma estação”, diz Andréa Bisker, diretora da consultoria de tendências WGSN, no Brasil. Em vez de comprar 10 camisetas vagabundas, é melhor ter duas de boa qualidade, que não rasgam na primeira espreguiçada. Bem como sua mãe ensinou.

     

    “Levar um estilo de vida frugal é não acumular tralha de que você não precisa, é não desperdiçar comida ou recursos, é levar a vida como nossas avós levavam, quando as pessoas valorizavam o tempo e estavam mais próximas do estado natural das coisas. É uma vida mais simples.”

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    Ana Elisa Gaiarsa Granziera, ilustradora, autora do blog La Cucinetta, em que publica a seção Uma Sexta-Feira Frugal, com receitas simples de fazer.

     

     

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