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O gás no seu devido lugar

Recolhendo o CFC das geladeiras e capacitando mais técnicos, a Multibrás ajuda a preservar a camada de ozônio e ganha pela segunda vez o Prêmio SUPER nessa categoria.

Por Da Redação Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
30 jun 2003, 22h00 • Atualizado em 31 out 2016, 19h03
  • Bruno Leuzinger, de São Paulo, SP

    Três minutos podem parecer pouco, mas são suficientes para ajudar a salvar o planeta. É o tempo médio que um técnico de refrigeração leva para recolher o clorofluorcarbono, o temível gás encontrado em geladeiras, freezers e aparelhos de ar condicionado. Se liberado na atmosfera, o CFC destrói a camada de ozônio, que nos protege dos raios ultravioletas. Ozônio é também o nome do projeto vencedor, pela segunda vez, do Prêmio Super Ecologia na categoria. A iniciativa liderada pela Multibrás – empresa que reúne Brastemp, Consul, Semer e a argentina Whirlpool –, de tão importante, foi adotada por toda a indústria de refrigeração.

    As geladeiras com CFC deixaram de ser fabricadas em 2000. O gás refrigerante, usado até então, foi substituído por outro à base de hidrogênio (HFC), bem menos nocivo. Porém, cerca de 50 milhões de aparelhos com CFC ainda estão em funcionamento. Quando um deles apresenta defeito na unidade selada, o lugar por onde passa o gás, um técnico precisa abri-la. Antes do Projeto Ozônio, o fluido era jogado fora. Agora, é recolhido e depois reciclado. “Nesse formato, com o reaproveitamento do gás, o programa é único no mundo”, diz o mentor do projeto, Heriney Lima.

    O bicampeonato no Prêmio Super veio porque a empresa conseguiu ampliar, de modo significativo, seus resultados. No ano passado, a Multibrás recolheu 3 toneladas de gás, o dobro em relação a 2001. A evolução foi fruto do investimento da empresa, que em 2002 quase triplicou o número de profissionais treinados – 728, contra 272 do ano anterior. São, portanto, mil técnicos especializados na coleta, devidamente treinados, trabalhando em 360 serviços autorizados espalhados pelo país. A porcentagem da rede autorizada que dispõe da recolhedora – um cilindro de 3 quilos usado na operação – pulou de 25% para 80%. O objetivo é que este ano o equipamento esteja disponível para 100% da rede.

    Outra novidade foi a implantação de auditorias trimestrais na rede autorizada. “São selecionadas ordens de serviço em que tenha havido intervenção na unidade selada e o consumidor é contatado para saber se o fluido foi de fato recolhido”, diz o gerente Ricardo Shinya. Há ainda um esforço de conscientizar os técnicos de que é preciso proteger a natureza, dentro e fora do trabalho. Treinamentos, vídeos e brindes comemorativos, distribuídos em datas ligadas à defesa da ecologia, ajudam. “Mudar a cultura é difícil”, afirma Ideval de Alencar, titular da Paulista Service, a terceira maior autorizada do estado. “A gente tenta mostrar que a preservação do meio ambiente, antes de ser uma necessidade só da empresa, é importante para o bem-estar de todos.”

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