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8 cientistas que foram cobaia do próprio experimento

Cientistas que aplicam em si mesmos suas invenções não existem só na ficção científica ou nos quadrinhos

Por Claudia de Castro e Lima - Atualizado em 12 jul 2018, 18h13 - Publicado em 21 dez 2016, 17h44

Morte lenta

QUANDO 1896-1934
ONDE França
O físico Pierre Curie e sua mulher, Marie, pioneiros no uso da radioatividade, fizeram testes um tanto radicais. Em 1901, ela deixou uma mostra do elemento químico rádio no braço por dez horas. O casal achava que o rádio poderia ser usado no tratamento do câncer (chegou a ganhar um Nobel por suas pesquisas). O resultado mais imediato, porém, foi desanimador: Marie ganhou uma queimadura profunda. Há fortes suspeitas de que a anemia aplástica que a matou em 1934 também foi causada por radioatividade.

Ciborgue

QUANDO 2002
ONDE Inglaterra
Professor de cibernética da Universidade de Reading, Kevin Warwick implantou um chip em seu braço esquerdo e 100 eletrodos no nervo médio. Durante três meses, fez diversas pesquisas ligando seu sistema nervoso à web para controlar um braço mecânico a milhares de quilômetros de distância. Confira o vídeo impressionante com o resultado do experimento:

Chega mais, mosquito!

QUANDO 1900
ONDE Cuba
O cirurgião do Exército norte-americano Jesse William Lazear cultivou insetos infectados com malária e febre amarela para poder estudar essas doenças. Fez 11 inoculações em si mesmo – e contraiu febre amarela em duas delas. Morreu no mesmo ano.

Direto no coração

QUANDO 1929
ONDE Alemanha
Em busca de uma técnica mais eficiente de aplicar remédios, o cirurgião Werner Forssmann anestesiou o braço e enfiou, pela veia, um cateter (fio ou sonda usado para alcançar um órgão do corpo). Empurrou-o até chegar ao coração – algo inédito até então. Levou o Nobel de medicina em 1956.

O alfaiate voador

QUANDO 1912
ONDE França
O austríaco Franz Reichelt era alfaiate, mas seu grande sonho era inventar um tipo de “roupa-paraquedas”. Para demonstrar um protótipo, chamou imprensa para filmá-lo pulando do primeiro nível da Torre Eiffel, a cerca de 60 m de altura. O traje não funcionou e ele morreu diante das câmeras. Confira no vídeo:

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A toda velocidade

QUANDO 1947-1948
ONDE EUA
Quando o médico e coronel da Força Aérea John Paul Stapp começou apesquisar sobre aceleração, em 1947, acreditava-se que nosso corpo suportava um máximo de 18 G (18 vezes a força da gravidade). Usando um trenó-foguete, Stapp submeteu a si mesmo a 46,2 G. Em outro teste, alcançou 1.017 km/h! Entre outras consequências de seus estudos, Stapp teve um deslocamento da retina. Veja-o em ação:

Eeeeeeeeca!!!

QUANDO 1790-1800
ONDE EUA
Para provar que a febre amarela não era contagiosa, o estudante de medicina Stubbins Ffirth passava vômito de pessoas doentes no próprio globo ocular ou em cortes no braço. Também bebeu gorfo diluído em água e até criou uma “sauna do vômito”, em que ele inalava vapores da regurgitação alheia. Delícia, né? Descobriu-se mais tarde que a doença realmente não é transmitida diretamente entre pessoas, mas sim pela picada de um mosquito.

Nobel dolorido

QUANDO 1984
ONDE Austrália
Disposto a mostrar que úlceras podiam ser causadas por bactérias, e não só por estresse ou comidas picantes e ácidas, o médico Barry Marshall não teve dúvidas: bebeu o líquido de um tubo de ensaio com a bactéria H. pylori desenvolveu a doença. Tomou antibióticos, curou-se e ganhou o Nobel em 2005.

CONSULTORIA John Horgan, professor do Stevens Institute of Techonology, de New Jersey (EUA), e colunista da Scientific American

FONTES Revistas Time, Science, American Journal of Psychiatry e New Scientist, livros Listomania, vários autores, e Dr. Josef Mengele, The Angel of Death, de Holly Cefrey, e sites LiveScience e Auschwitz.dk

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