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Como foi a crucificação de Jesus?

A ciência acredita que Jesus foi crucificado. Mas de maneira um pouco diferente

Por Cláudia de Castro Lima
13 nov 2017, 14h33 • Atualizado em 22 fev 2024, 10h09
  • ILUSTRA Tom Ventre
    EDIÇÃO Felipe van Deursen

    3
    (Tom Ventre/Mundo Estranho)

    A CRUCIFICAÇÃO DE JESUS
    Se ele foi morto como era hábito na época, esqueça a imagem clássica. Seus braços foram amarrados e os pés, pregados de lado

    Quase famoso
    Descoberto em 1968, Yehohanan foi crucificado no século 1, mesma época que Jesus. Por isso, os restos dele, como um osso de calcanhar perfurado por um prego com fragmentos de madeira, ajudaram cientistas a decifrar como Jesus teria sido executado

    Cruz sustentável
    As fontes da época sugerem que o método romano obrigava o condenado a carregar para o local da condenação apenas a haste horizontal da cruz. Como a madeira era muito escassa na época, o poste vertical já ficava fincado e era usado para várias crucificações

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    Morte penosa
    Os braços soltavam-se das juntas, alongando-se ao limite, o que dificultava a expiração. Quando o peitoral está totalmente expandido, só dá para respirar com pequenos “goles”. Jesus provavelmente morreu num processo de sufocação lento e doloroso

    Haja sofrência
    Com os braços soltos das juntas nos ombros, a opção de muitos era tentar se apoiar pressionando os pés na cruz. Mas as pernas estavam dobradas e os pés pregados. Então, logo o prisioneiro perdia a força. Muitas vezes, os soldados quebravam as pernas dele, prolongando o sofrimento

    Corpo exposto
    A Bíblia diz que Jesus foi sepultado, mas o mais comum era largar o corpo para apodrecer na cruz. Não dar um túmulo ao morto evitava criar um ponto de peregrinação. Mas sabe-se que os romanos às vezes abriam exceções, logo é possível que Jesus tenha sido sepultado

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    Braços atados
    Não havia um “método oficial”. Por sadismo, os carrascos podiam atar os condenados em diferentes posições, até de ponta-cabeça (como Pedro, segundo a tradição). Não se pregavam as mãos, porque isso não era eficiente (ela não aguentaria o peso e rasgaria). O mais comum era apoiar os braços na cruz e amarrá-los. É possível que Jesus tenha tido os pulsos pregados, mas não há evidências

    Sem Via-Crúcis
    Jesus, um judeu, foi a Jerusalém na época da Páscoa judaica, festa que celebra o fim da escravidão desse povo. Então, é difícil que os romanos tivessem prendido um líder judeu, feito um julgamento público e o torturado na frente de todo mundo. Por isso, os historiadores consideram apenas a crucificação um fato histórico

    LEIA A REPORTAGEM “AS HISTÓRIAS QUE A BÍBLIA NÃO CONTOU”
    – Arca de Noé
    – Êxodo
    – Sansão
    – Davi
    – Queda de Jerusalém
    – Crucificação

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    TURISMO EM JERUSALÉM
    A via-crúcis mistura textos medievais com um pouquinho da Bíblia – e quase nada de história

    Já é tradição
    A via-crúcis está no interior das muralhas da cidade antiga de Jerusalém e virou um museu a céu aberto. As 14 estações representam as passagens do martírio de Jesus. Nem todas são citadas na Bíblia. Algumas das passagens estão só em textos da época das Cruzadas (séculos 11 a 13), quando venerar os últimos passos de Jesus virou uma tradição cristã

    Obituário sem destaque
    Pesquisadores acreditam que a morte de Jesus na cruz não causou a comoção que costumamos imaginar e provavelmente passou despercebida para quem vivia no Império Romano, com exceção de sua família e seus seguidores. Quer dizer: se houvesse TV na época, ela nem seria noticiada

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    • A morte na cruz era um método de punição ou execução praticado por assírios, fenícios, persas, gregos e romanos, entre outros
    • Em 2015, arqueólogos disseram ter encontrado o local exato do julgamento de Jesus

    FONTES Bible Archaeology, Biblical Archaeology, British Museum, Jewish Virtual Library, Journal of Archaeological Science, Slinging; livros Bíblia: Uma Biografia, de Karen Armstrong, Bíblia, Deus, Uma Biografia, de Jack Miles, Excavating Jesus, de John Dominic Crossan e Jonathan L. Reed, The Mystic Past, de Thomas L. Thompson, e Jesus, Coleção Para Saber Mais, de Rodrigo Cavalcante e André Chevitarese

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