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Como foi o massacre do Carandiru?

O episódio repercutiu até fora do Brasil devido à quantidade de mortos e também à forma como os presos foram abordados pela polícia

Por Danilo Cezar Cabral
29 set 2016, 13h32 • Atualizado em 22 fev 2024, 10h21
  • Foi uma resposta policial a uma rebelião, que vitimou 111 presos da Casa de Detenção do Carandiru, na capital paulista, em outubro de 1992. O episódio repercutiu até fora do Brasil devido à quantidade de mortos e também à forma como os presos foram abordados pela polícia. 120 policiais militares foram indiciados.

    Em 2001, o comandante da operação, coronel Ubiratan Guimarães, foi condenado a 632 anos de prisão por 102 das 111 mortes. Ele recorreu da sentença e o Órgão Especial do TJ o absolveu do crime em 2006, mesmo ano em que Ubiratan morreu. Nesse meio tempo em que corria o trâmite do recurso, foi eleito deputado estadual por São Paulo em 2002 e fez parte da bancada da bala.

    Outros 74 PMs envolvidos no massacre foram condenados em diversos julgamentos feitos entre 2013 e 2014. As penas variavam entre 48 e 624 anos de prisão, mas ninguém foi preso, já que todos recorreram da decisão. Em setembro de 2016, o Tribunal de Justiça de SP anulou os julgamentos de todos os 74 policiais e a Promotoria anunciou que entraria com recurso para manter as condenações.

    A Casa de Detenção foi inaugurada em 1956, pelo governador Jânio Quadros. Inicialmente, o projeto previa abrigo para 3.250 presos, mas, com o passar dos anos, teve sua capacidade máxima ampliada para 6,3 mil. Em 1975, a prisão deixou de abrigar apenas presos à espera de julgamento e, no início dos anos 90, a população chegou a ser de 8 mil detentos. O Carandiru foi desativado em 2002. Atualmente, a área abriga o Parque da Juventude, com áreas esportivas, bosque, escolas técnicas e uma biblioteca

    COMO FOI A REBELIÃO

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    1. Pela manhã, dois detentos começaram a brigar em um jogo de futebol na quadra interna do pavilhão 9. Quando Antônio Luís do Nascimento (Barba) e Luís Tavares de Azevedo (Coelho) começam a se atracar, alguns grupos se aproveitaram da confusão para acertar desavenças passadas, iniciando a rebelião

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    2. Às 14h, os carcereiros abandonaram os postos e transferiram alguns feridos para o pavilhão 4. Os presos lançaram lixo pelas janelas e atearam fogo a colchões e outros objetos. Com a situação fora de controle, o diretor do presídio pediu apoio a Polícia Militar

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    3. Cerca de 300 oficiais da Rota, Gate, Choque, Cavalaria e Corpo de Bombeiros chegaram à detenção. De acordo com a direção do Carandiru e o comando da PM, houve uma tentativa de negociação, ignorada pelos presos. Ex-detentos, por outro lado, alegaram que os presos sinalizaram a rendição antes de a polícia entrar. O número de 300 policiais é da Promotoria – na versão do coronel Ubiratan, apenas 86 homens invadiram o pavilhão

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    4. A polícia invadiu o pavilhão às 16h30. Cerca de 90 homens quebraram as barricadas construídas pelos detentos e, em poucos minutos, controlaram o piso térreo do pavilhão. O coronel Ubiratan Guimarães, comandante da operação, foi ferido e removido da ação, passando o comando para o capitão Wilton Brandão Filho

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    5. No primeiro andar, os policiais deram de cara com mais barricadas e um detento morto pendurado de cabeça para baixo. De acordo com a perícia, a agressividade policial aumentou e cerca de 30 prisioneiros foram mortos fora das celas neste pavimento. Do terceiro andar em diante, não havia indícios de conflito

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    6. Na versão oficial, aconteceu uma emboscada dos detentos, equipados com armas de fogo, estiletes e facas com sangue contaminado e sacos plásticos com fezes e urina. A polícia revidou com disparos de fuzis e metralhadoras e 60% das vítimas foram mortas entre o primeiro e o segundo pavimento. Cerca de 70% dos disparos certeiros dos policiais atingiram o tórax ou a cabeça dos presos

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    7. A rendição aconteceu às 17h. Muitos sobreviventes se esconderam entre os corpos no chão. Os detentos foram retirados das celas, nus e descalços, e auxiliaram os PMs na transferência dos cadáveres para o primeiro andar. Muitos feridos acabaram morrendo neste momento

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    8. Os detentos foram encaminhados para uma quadra externa, onde a polícia fez a revista e a contagem. Oito feridos foram levados a um pronto-socorro nas redondezas, mas chegaram mortos. Foram 103 detentos mortos por disparos e 130 feridos. Entre os PMs, foram 23 feridos. “Se a nossa intenção fosse matar, teriam morrido muito mais que 111”, disse o coronel Ubiratan à imprensa na época

     

    FONTES Secretaria da Administração Penitenciária do Estado de São Paulo, Grupo de Ações Táticas Especiais do Estado de São Paulo, O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo

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