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Como os cientistas definem a aparência de um dinossauro?

Há cinco fatores envolvidos, e o primeiro deles é o estudo dos fósseis

Por Julia Trevisan - Atualizado em 4 jul 2018, 20h22 - Publicado em 25 fev 2016, 12h33

pergunta do leitor Alberto Lunardi, Xaxim, SC

ilustra Márcio L. Castro

edição Felipe van Deursen

Há cinco fatores envolvidos. Primeiro, os estudos dos fósseis. Observa-se a forma e o tamanho dos ossos e como eles se conectam, além das marcas deixadas pelos músculos que estariam associados a eles. Segundo, a comparação com outras espécies que tenham ossos semelhantes. O paleontólogo junta esse quebra-cabeça usando, muitas vezes, partes “pré-montadas” de animais potencialmente semelhantes, a fim de preencher as lacunas. Terceiro, os estudos de reconstituição de outros tecidos, como a tomografia, que permite reconstituir o cérebro dos bichos e compará-lo ao de animais atuais. Quarto, quando se encontra um fóssil muito bem preservado, chamado “fóssil perfeito”, é possível determinar detalhes. Um exemplo: ao usar técnicas de microscopia em penas de fósseis chineses, cientistas viram onde os melanossomos (estruturas celulares responsáveis pela pigmentação) se acumulavam. Assim, descobriram padrões nas penas, como listras e cores diferentes. Por fim, ainda há muita especulação. O bom e velho “chute”.

Fábrica de monstros

Como a ciência determina as principais características dos dinos

cicatrizes nos ossos

Formato

Por meio de observação de cicatrizes nos ossos, dá para saber como os músculos e a pele se acomodavam no corpo. Estudos anatômicos comparativos também ajudam o paleontólogo a entender os movimentos que o animal fazia

camuflagem

Cor

Compara-se com padrões de animais atuais. Se o esqueleto (especialmente os dentes) mostra que ele era um predador bípede e veloz e os fósseis de plantas relacionadas indicam que o bicho vivia em ambiente aberto, provavelmente ele tinha uma cor que o ajudava a se camuflar, como acontece hoje com os leões na savana

fosséis de plantas

Ambiente

Fósseis de plantas ajudam a mostrar como era o ambiente. Análise de microfósseis (fósseis que não podem ser estudados a olho nu, como pólens, sementes, conchas de invertebrados e escamas isoladas) também dá informações importantes

Dimensões

O tamanho dos ossos é crucial. Quando se tem trilhas de pegadas, é possível definir o espaço entre uma perna e outra, medir a altura delas e calcular a velocidade do dinossauro

cérebro

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Cérebro

Estudos de tomografia de crânios bem preservados permitiram reconstituir o tamanho e o formato dos cérebros. Graças a isso, sabemos que os cérebros dos dinos eram mais parecidos com os das aves do que com os dos répteis. Logo, o comportamento deles também era mais semelhante ao das aves

olhos

Olhos

Baseia-se nos padrões de cor de olhos de animais atuais. Na natureza, não há muita variedade. A maioria é castanho, verde e azul, pois são os tons que funcionam melhor

Postura

Além das trilhas de pegadas, o arranjo dos ossos dá a dica. Se a bacia for robusta e os membros anteriores pequenos, então ele era bípede. Se os membros anteriores e os posteriores forem robustos, é mais provável que fosse quadrúpede

pele

Pele

Os pequenos são cada vez mais representados com penas, pela semelhança com as aves. Já os maiores não têm a necessidade de ter proteção contra perda de calor (quanto maior o animal, mais lenta é a perda de calor). Então eles provavelmente eram pelados, como os elefantes

-Na época do primeiro Jurassic Park (1993), não se falava nisso. Mas hoje é consenso que o velociraptor era um dinossauro emplumado (na imagem acima, vemos um Velociraptor mongoliensis)

O Carnotaurus vivia na atual América do Sul no final do período Cretáceo. Com 9 m de comprimento, ele tinha chifres característicos

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CONSULTORIA Bruno Vila Nova, pós-doutorando do Laboratório de Paleontologia de Ribeirão Preto da USP, Cesar Leandro Schultz, professor de Geociências da UFRGS, e Reinaldo J. Bertini, professor do Núcleo de Evolução e Paleobiologia de Vertebrados do Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Unesp-Rio Claro. FONTE Site Smithsonian National Museum of Natural History

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