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É verdade que cerveja feita de milho é pior?

A desinformação ficou tão grande no meio cervejeiro que ganhou um apelido: "mimimilho"

ILUSTRA Ricardo Sanches
EDIÇÃO Felipe van Deursen

 (Ricardo Sanches/Mundo Estranho)

Não necessariamente. A cerveja é feita a partir da fermentação alcoólica do malte de cereais, principalmente a cevada. O malte, por sua vez, é obtido por meio da germinação artificial e da secagem do cereal.

Mas nem sempre a cerveja é 100% de cereais maltados. É aí que entra o milho. Por lei, a bebida tem que ter no mínimo 55% de malte. Então até 45% podem ser os chamados cereais não maltados, que variam de acordo com a disponibilidade de matéria-prima e as características que se quer dar à cerveja – como a leveza, já que os não maltados geram álcool sem deixar a bebida mais encorpada. O milho é mais comum na América do Sul, assim como o arroz nos EUA, a aveia na Europa e o sorgo na África.

Como os cereais não maltados barateiam a produção de grandes fabricantes, eles passaram a ser vistos como vilões nos últimos anos. Mas isso não faz sentido. Assim como “puro malte” nem sempre é sinônimo de qualidade, cervejas de milho podem ser muito boas. Entre as micro e pequenas cervejarias, cereais não maltados servem, muitas vezes, como estímulo à criatividade. A Flying Dog, uma das mais celebradas dos EUA, lançou a Agave Cerveza (de milho e agave, a matéria-prima da tequila), enquanto a dinamarquesa Amager, em parceria com a carioca 2cabeças, fez a Marry Me in Rio, que tem milho, arroz e uma respeitável nota 87 no site de avaliações RateBeer. Os exemplos se acumulam e mostram que o milho pode ser mais um aliado do que um vilão.

ESPIGA DE HISTÓRIA
Apesar da birra recente, o milho está há tempos na vida da cerveja

  • INCAS Bem antes da invasão dos europeus, povos andinos faziam chicha, bebida fermentada de milho. Essa prima da cerveja existe até hoje em países como o Peru
  • BÉLGICA MEDIEVAL A abadia Leffe produz cerveja desde o século 13. Hoje ela faz alguns dos rótulos mais tradicionais e bem avaliados da Bélgica. Com milho
  • TREZE COLÔNIAS Os primeiros colonizadores dos EUA faziam cerveja de milho – e os imigrantes alemães no país, no século 19, vendiam a versão com milho a um valor mais alto que a de puro malte

 

Veja também

CONSULTORIA Laura Aguiar, mestre-cervejeira e sommelière de cervejas da Ambev, e Mauricio Beltramelli, mestre em estilos de cerveja e autor de livros sobre cerveja
FONTES Livro Drink: A Cultural History of Alcohol, de Iain Gately; blogs “Dois Dedos de Colarinho” (O Globo), “Lupulinas” (Carta Capital) e “Só de Birra” (O Estado de S. Paulo); Draft Magazine, planalto.gov, RateBeer e The Washington Post

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Comentários

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  1. Hamilton Alonso Concrevi

    Sinceramente discordo da opinião do autor do artigo, mas a respeito, todo mundo tem direito de ter opinião, e eu vou dar a minha aceitem ou não, tanto faz, é só uma opinião, Não sou um entendido em cerveja, sou um admirador e bebedor, mas o artigo carece de sequência e não se justifica, por si só, me desculpe a franqueza, mas informa e o que informa é a razão de se produzir cerveja com milho, quiça talvez, transgênico, o que já é um agravante, visto sobre tudo que já foi comprovado sobre isso e seus (d)efeitos, mas visa tão somente na maioria dos casos reduzir custos, aumentar lucro, o que com certeza desde que essa palavra foi conceituada, diminui a qualidade, até aparenta o artigo ter patrocínio (Ambev é claro, e outros criminosos da indústria de bebidas mundial, que andam soltos por aí).O artigo cita por exemplo a chicha, pois bem, isso não é cerveja, é como dizer que que o cauim (hoje ninguém sabe o que é isso, não se ensina mais nas escolas, ninguém sabe nem o que é índio, só os americanos e os donos de cassino em Nevada), é cerveja, cita a cerveja produzida no Egito antigo, ora alguém sabe com certeza o que Noé colocava no seu fermentado ou destilado, que dava algum “barato”, alguma alegria, algum sabor? Nem sabemos com certeza se aquilo é cerveja, e nem como eles realmente edificarem seus templos e pirâmides…Cita também a BÉLGICA MEDIEVAL e A abadia Leffe, ora se eles resolveram baratear sua produção e reduzir custos, eu só tenho a lamentar, a lei da Bavária, ou a lei da Pureza (https://pt.wikipedia.org/wiki/Reinheitsgebot), foi criada pelo mesmo motivo que foi criada a lei sobre 1 kg, criou-se um padrão, não uma regra, pois hoje todos nós sabemos que um kg não tem mais um kg, e toda lei e regra pode ser mudada, o importante é seguir um padrão e isso leva a qualidade não à obsolescência, pois variar é preciso, dar diferentes sabores, paladares e sensações à cerveja é importante, pois cada um sente e gosta e cheira de um jeito, e ama de uma forma, somos únicos e somos iguais, somos impossíveis e tudo nos tornou possíveis, “vive la difference” não la France que foi campeã, e o autor cita ainda as treze colônias, ora, se temos limão fazemos limonada, e se conseguirmos cobrar mais caro por isso, iludindo a quem quer que seja pela novidade muito que bem, vem daí o que se pratica hoje em tudo nesse nosso mundo capitalista e consumista, a Internet é fruto desse conceito de consumo, começou como uma ferramenta militar e se tornou um negócio, o que nos remete novamente à cerveja feita com milho, para mim, veja bem, essa é minha opinião, trata-se somente de negócio, e até o propósito das cervejarias artesanais e caseiras já está se tornando um negócio, o que destoa totalmente de quem bebe e faz cerveja por amor ou poesia(agora virou Aquarela do Toquinho…. Saravá!)….Outro dia vi uma reportagem de um executivo de um grande grupo cervejeiro que faz de conta que não lembro quem é, que a lata e a long neck vão substituir a garrafa de vidro e que isso não altera o sabor….só faltou ele explicar por quê essas embalagens geram gosto diferente na cerveja e qual é o produto que eles colocam nesse material para que as embalagens não estourem à toa e durem mais, e que alteram gosto, sabor e aroma, e nem vou entrar no mérito do ar incorporado e da não visibilidade, no caso da lata, do volume que está carregado, por fim… encerro dizendo que durante muitos anos fui enganado por matérias tipo: vitamina C cura tudo!, Vitamina C não cura nada! Vitamina C não existe, é lenda!, hoje todo mundo sabe o que é Fake News… Esse artigo para mim é quase isso PERDA DE TEMPO, talvez igual ao meu comentário!

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