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O que foi a Guerrilha do Araguaia?

Durante sete anos, quase cem guerrilheiros tentaram combater a ditadura no improviso

Foi a tentativa de dissidentes do Partido Comunista do Brasil (PC do B) de organizar uma luta armada, a partir do campo, para enfrentar a ditadura militar que governava o Brasil em 1968. Na época, a censura barrava notícias e manifestações artísticas que o governo julgasse impróprias. Para piorar, pessoas que se opunham ao regime – ou consideradas uma ameaça – eram perseguidas, torturadas e até executadas. Quando o regime começou a endurecer ainda mais, alguns partidários da esquerda, inspirados pelo sucesso das revoluções chinesa, com Mao Tsé-tung, e cubana, com Che Guevara e Fidel Castro, começaram os planos para derrubar os milicos do poder. O primeiro passo era conquistar a população rural, alistando “soldados” para iniciar a revolução socialista no Brasil.

Guerrilha dos “farrapos”

Durante sete anos, quase cem guerrilheiros tentaram combater a ditadura no improviso

 

 (Davi Calil/Mundo Estranho)

1. Em 1968, alguns líderes do PC do B, como Maurício Grabois e João Amazonas, se desligam do partido para formar grupos de resistência armada em regiões rurais

 (Davi Calil/Mundo Estranho)

2. Os grupos se espalham próximos às margens do rio Araguaia, onde hoje se juntam os estados do Pará, do Maranhão e de Tocantins. Paulistas, mineiros e gaúchos são maioria

 (Davi Calil/Mundo Estranho)

3. A amizade é uma arma para conquistar o apoio dos camponeses. Outra estratégia é usar a profissão dos guerrilheiros – alguns deles eram médicos, por exemplo – para atender às necessidades locais

 (Davi Calil/Mundo Estranho)

4. Os guerrilheiros, vindos da classe média alta, bancam as próprias armas. Sem treinamento militar prévio nem financiamento do partido, o arsenal se limita a facões, revólveres .38 e espingardas

 (Davi Calil/Mundo Estranho)

5. Numa emboscada ao comunista Carlos Marighella, os militares descobrem documentos com pistas sobre a guerrilha, confirmadas com a prisão e a tortura do ex-guerrilheiro Pedro Albuquerque

 (Davi Calil/Mundo Estranho)

6. O Departamento de Inteligência e Repressão do Exército se infiltra nas comunidades do Araguaia e compra informações dos camponeses, descobrindo paradeiro e identidade dos guerrilheiros

 (Davi Calil/Mundo Estranho)

7. Até 1975, rolam três campanhas para detonar a guerrilha. Após reconhecimento da área e coleta de informações, a segunda campanha vai à caça com tropas de operação em selva. Começa a onda de torturas, com destaque para um pau-de-arara melado

 (Davi Calil/Mundo Estranho)

8. A captura de Osvaldão (Osvaldo Orlando da Costa) – um dos poucos treinados pelo Exército chinês -abala o moral dos guerrilheiros. O cara é morto em 1974 e tem o corpo amarrado a um helicóptero para ser exibido nos vilarejos

 (Davi Calil/Mundo Estranho)

9. A Operação Marajoara vem para exterminar, com emboscadas pesadas de militares sem farda, muita tortura e execução – até de camponeses. O objetivo é identificar os poucos guerrilheiros que ainda resistem escondidos na mata

 (Davi Calil/Mundo Estranho)

10. Oficiais cortam cabeça e mãos das vítimas e as enfiam em sacos que seguem para identificação pelo Exército. Segundo os militares, mais de 80 guerrilheiros morreram nas operações

 (Davi Calil/Mundo Estranho)

11. Familiares e organizações de direitos humanos tentam, até hoje, localizar e identificar corpos de “desaparecidos”. Dossiês e depoimentos de ex-militares envolvidos nas operações estão vindo à tona pela imprensa e pelo cinema

CONSULTORIA Eduardo Castro, diretor do documentário Araguaia – A Face Oculta da História