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Quais são os animais recordistas em migrações?

O campeão é um pássaro conhecido no Brasil como bobo-escuro (Puffinus griseus), que viaja 63 mil quilômetros todos os anos! Recentemente, a viagem desse incansável parente do albatroz foi documentada por um estudo com rastreadores eletrônicos: primeiro, o bobo-escuro se areproduz na Nova Zelândia no verão do hemisfério sul, no período de dezembro a março. No meio do ano, ele segue para o norte do Pacífico em busca de calor. Outro intrépido viajante é o trinta-réis-ártico (Sterna paradisaea), uma pequena ave marinha que faz um migração de até 48 mil quilômetros anualmente. Entre os mamíferos, a baleia-cinza (Eschrichtius robustus) e o elefante-marinho-do-norte (Mirounga angustirostris) são imbatíveis. Comum entre várias espécies de animais, a migração costuma ser uma resposta a mudanças climáticas e de disponibilidade de alimentos – ou, ainda, para garantir a reprodução e a sobrevivência dos filhotes. A lógica dessas viagens ainda não foi totalmente desvendada, mas os cientistas acreditam que o organismo dos animais com hábitos migratórios dispare algum tipo de sinal interno que lhes “avisa” o momento certo de partir para outro lugar. Na preparação para a jornada, os bichos precisam armazenar muita energia. Por isso, eles se alimentam vorazmente antes da partida. Confira no infográfico a rota percorrida pelos quatro recordistas da migração animal.

Mó viagem!
Pássaro campeão percorre cerca de 63 mil quilômetros em sua migração

BOBO-ESCURO

Um dos pássaros mais abundantes do planeta, com uma população estimada em 20 milhões de indivíduos, o bobo-escuro cruza a linha do Equador duas vezes por ano

DISTÂNCIA PERCORRIDA – 63 mil km

1. A jornada começa em junho na Nova Zelândia, onde os pássaros acasalam. Com o frio, eles deixam a região e, aproveitando correntes de vento favoráveis, rumam para o Pacífico Norte em busca de calor. Alguns fazem um caminho mais longo, passando primeiro pelo Chile

2. Durante a viagem, o bobo-escuro faz paradas no meio do mar para descansar e quase não se alimenta. A primeira “perna” da migração termina na costa dos Estados Unidos ou do Japão, onde, durante o verão (de junho a setembro), há comida de sobra

3. Engordando nas águas do Pacífico Norte, o pássaro é capaz de mergulhar a 68 metros de profundidade para capturar peixes, camarões ou lulas. Por volta de setembro, ele inicia a viagem de volta para a Nova Zelândia, fugindo do frio que chega ao hemisfério norte

ELEFANTE-MARINHO- DO-NORTE

Esse mamífero aquático passa até 80% da vida no mar. Quando migra em busca de comida, é capaz de permanecer meses caçando sem descansar ou dormir

DISTÂNCIA PERCORRIDA – 20 mil km

1. O animal vive em praias da Califórnia, nos Estados Unidos, e no México, onde acasala de dezembro a março. A partir de abril, machos e fêmeas migram separadamente em busca de comida. Os machos vão para o Alasca; as fêmeas, para o alto-mar

2. Quando estão se alimentando, os elefantes-marinhos são capazes de permanecer mais de uma hora submersos e mergulhar a profundidades abissais (o recorde é de 1 500 metros!). Em julho, eles fazem o caminho de volta às águas da Califórnia e do México

BALEIA-CINZA

Ao longo da vida (cerca de 50 anos), a baleia-cinza percorre uma distância equivalente a uma viagem de ida e volta à Lua – algo em torno de 720 mil quilômetros!

DISTÂNCIA PERCORRIDA – 20 mil km

1. Durante o verão e outono do hemisfério norte, a baleia-cinza se alimenta na costa do Alasca. Em dezembro, começo do inverno, ela viaja rumo às águas quentes do México. Em janeiro, cerca de 30 baleias por hora nadam rumo sul na costa americana

2. Os animais viajam a uma velocidade média de 8 km/h e levam cerca de três semanas para chegar ao destino. Nesse período, quase não se alimentam. No México, ocorre o nascimento dos filhotes. Em março, o grupo inicia a viagem de volta

TRINTA-RÉIS-ÁRTICO

Esse pequeno pássaro branco e preto, de uns 35 centímetros de comprimento, viaja de um pólo a outro do planeta e vivencia dois verões por ano

DISTÂNCIA PERCORRIDA – 48 mil km

1. Vastas colônias de trinta-réis-articos podem ser vistas no círculo polar ártico durante o verão local, no período que dura de junho a setembro. Para esses pássaros, o calor moderado do local torna o clima propício para o acasalamento

2. Com a entrada do outono apenas 90 dias depois de chegarem ao Ártico, eles começam a partir em bandos em direção à Antártida. O percurso, com duração de cerca de 45 dias, é feito sobre o oceano Atlântico pela costa da África

3. A ave dá uma paradinha por alguns meses e passa o verão do hemisfério sul no continente gelado, alimentando-se e armazenando energia para a viagem de volta, quando ele voa pelo outro lado do Atlântico, margeando o continente americano

4. Lá pelo meio do ano, o pássaro estará novamente no círculo polar ártico. Considerando que o trinta-réis-ártico vive por volta de 30 anos e migra anualmente, cada pássaro deve voar mais de 1 milhão de quilômetros durante a vida!