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Richard Kuklinski, o homem de gelo

Ele era famoso pelo tamanho (quase 2 m de altura) e pelo hábito de congelar as vítimas para dificultar as investigações

Por Tiago Cordeiro - Atualizado em 14 fev 2020, 17h35 - Publicado em 21 jul 2017, 17h19

Sugestão da TdF Leticia Duarte
Ilustra Julio Brilha
Edição Felipe van Deursen

FICHA CRIMINAL
Nome – Richard Kuklinski (1935-2006)
Local de atuação – Nova Jersey e Nova York (EUA)
Mortes – Mais de 100

Julio Brilha/Mundo Estranho

1. Nascido em Nova Jersey, Richard apanhava pra valer do pai, o imigrante polonês Stanley Kuklinski. Sua mãe, a filha de imigrantes irlandeses Anna, também batia nos filhos e dava apoio ao marido, mesmo quando ele matou Florian, primogênito do casal. Os pais de Richard disseram à polícia que o irmão dele morreu ao cair da escada

2. Criado como católico, Richard até foi coroinha, mas, nas horas vagas, se divertia torturando gatos. Aos 13 anos, cometeu seu primeiro assassinato: estrangulou um garoto chamado Charley Lane, que fazia parte de uma gangue de rua da vizinhança. Richard arrancou a camiseta dele e a usou para estrangulá-lo

3. Richard se tornou um homem de 1,96 m e 122 kg. O tamanho o ajudou a conseguir um emprego carregando peso em um armazém. Nessa época, com 15 anos, ele conheceu Barbara Pedrici, com quem se casaria. Barbara se lembraria depois de um incidente assustador: na juventude, durante uma discussão, ele teria cortado o pescoço dela com uma faca e avisado: “Entenda a lição: nunca me abandone”

4. Com cerca de 17 anos, ele entrou em contato com a máfia e virou matador de aluguel da família DeCavalcante, de Nova Jersey, e das Cinco Famílias de Nova York, que comandavam o crime na cidade. Richard participou de ações de lavagem de dinheiro e sequestro. Ele chamava a atenção por não beber, não jogar nem sair com prostitutas

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5. Os vizinhos do subúrbio de Nova Jersey onde os Kuklinski moravam achavam que Richard era um comerciante bem sucedido. Barbara dizia que ele era um bom provedor e um homem carinhoso – apesar de ele ter quebrado seu nariz várias vezes e tentado atropelá-la em mais de uma ocasião. Mesmo assim, Richard era um pai carinhoso com os três filhos

6. Richard, certa vez, teria sido testado pelo mafioso Roy DeMeo: ele o levou para uma rua aleatória e apontou para um senhor que caminhava com o cachorro. Richard caminhou até o homem e o executou com um tiro pelas costas, sem hesitação. DeMeo e os outros capos da máfia gostavam desse sangue-frio e do comportamento discreto do matador

7. Richard esfaqueava e estrangulava as vítimas. Ele lançou vários corpos no Rio Hudson, mas muitas vezes largava os defuntos onde os matava. Também podia incendiá-los em pneus em chamas ou bater neles até matar (o que fazia para manter a forma, dizia). Richard tinha o hábito de arrancar dentes e ponta de dedos (muitas vezes antes de matar) para dificultar a identificação do corpo

8. Outros métodos de eliminação: explodir carros ou jogá-los de ré contra postes, com a vítima no porta-malas. Certa vez, ele teria deixado a pessoa desacordada em um buraco com ratos por dias, com uma câmera ligada. Ao voltar, encontrou só ossos e a fita com o registro. Richard também congelava vítimas em freezers industriais. Daí veio o apelido Homem de Gelo

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9. Nos anos 70 e 80, trabalhando para a família Gambino, Richard participou ativamente do comércio de fitas VHS ilegais de pornografia – produções reais em que mafiosos usavam garotas viciadas para fazer cenas hardcore que iam muito além dos pornôs tradicionais. Richard chegou a dirigir algumas cenas e a acompanhar de perto muitas gravações

10. O assassino acabou preso em 1986 e condenado a duas prisões perpétuas pela morte de cinco pessoas (mas possivelmente matou muito mais que isso). De dentro da cela, Richard concedeu várias entrevistas. As declarações geraram lendas, como a de que Jimmy Hoffa, sindicalista desaparecido nos anos 1970, teria sido queimado num tonel e misturado a metal reciclado que seria usado para fazer carros no Japão

QUE FIM LEVOU?
Ele morreu na prisão, aos 70 anos, de causas naturais. Suas entrevistas renderam livros e filmes – um deles com Winona Ryder no papel de Barbara

FONTES Livro The Ice Man: Confessions of a Mafia Contract Killer, de Philip Carlo; filmes The Iceman and the Psychiatrist, de Arthur Ginsberg, e The Iceman, de Ariel Vromen

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