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Teoria da conspiração: o assustador Efeito Mandela

Um fato que você e muitas outras pessoas têm certeza de que aconteceu pode ser apenas uma mera ilusão. Ou ter acontecido em outro universo...

Por Lucas Baranyi Atualizado em 14 fev 2020, 17h33 - Publicado em 2 out 2017, 18h18

Ilustra Wildner Lima
Edição Felipe van Deursen

Wildner Lima/Mundo Estranho

NELSON MANDRAKE
Fiona Broome, pesquisadora de fenômenos sobrenaturais, acreditava que Nelson Mandela, uma das pessoas mais importantes do século 20, havia morrido durante a década de 1980, na prisão. Só que era 2010 e ele ainda estava vivo. Podia ser apenas uma confusão mental, um mero esquecimento. Mas logo as coisas se complicaram

Wildner Lima/Mundo Estranho

LAVAGEM CEREBRAL
Em conversas com outras pessoas em uma convenção nerd, Broome percebeu que muita gente também acreditava que o líder sul-africano morrera nos anos 80. No mesmo evento, ela constatou exemplos mais triviais: as pessoas se lembravam de episódios de Jornada nas Estrelas que jamais existiram! Broome, então, criou a teoria do Efeito Mandela

Wildner Lima/Mundo Estranho

MIL MUNDOS
Em suas muitas pesquisas, ela se deparou com duas teorias assustadoras. Uma considerava a existência de universos paralelos, enquanto a outra abordava uma realidade em que todos nós vivemos em uma grande e inescapável simulação de computadores (mais ou menos como em Matrix). Ambas as teorias corroboravam a tese do Efeito Mandela

  • UM PÉ EM CADA CANOA
    Segundo a teoria do Multiverso, nós transitamos de um universo para outro sem perceber, e fatos cotidianos acontecem de maneiras diferentes em cada uma dessas realidades. Sendo assim, Nelson Mandela poderia mesmo ter morrido nos anos 80 em um outro mundo

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    Wildner Lima/Mundo Estranho

    É TUDO MENTIRA
    A segunda teoria especula que a humanidade é apenas um conjunto de vários testes de computação realizados por entidades desconhecidas – ou pelas máquinas que teriam nos criado. Essas memórias inexistentes não passariam de falhas digitais – um bug na matrix, por assim dizer. Segundo o astrofísico-celebridade Neil deGrasse Tyson, há 50% de chances de estarmos vivendo em uma simulação

    Wildner Lima/Mundo Estranho

    HAJA TEXTÃO
    Nos últimos anos, a teoria do Efeito Mandela ganhou muita força na internet. No site Reddit, existe um subfórum com mais de 40 mil pessoas inscritas. Lá, elas compartilham histórias, debatem ideias e se impressionam com a dimensão do efeito na vida de cada um. De 2015 para cá, as buscas no Google se multiplicaram por dez

    Wildner Lima/Mundo Estranho

    “FILMAÇO, EU TAMBÉM VI!”
    Um dos casos mais emblemáticos é de um filme chamado Shazaam, estrelado pelo comediante americano Sinbad. Muitos usuários do Reddit juram que assistiram. Buscas na internet revelam cartazes e imagens promocionais do longa

    Por outro lado…
    A psicologia ajuda a explicar o fenômeno

    • Nelson Mandela, que ficou preso entre os anos 60 e 90, morreu em 2013 e teve um dos funerais mais divulgados e comentados da história
    • A chance de vivermos em uma simulação é de 50% porque não há como provar que isso é verdade ou mentira. Questão de estatística
    • A teoria do Multiverso foca na possibilidade de partículas ocuparem dois lugares ao mesmo tempo. Ou seja, se neste Universo você lê a ME e Mandela morreu, em outro você pode ser um esquimó e Mandela estar vivão. Mas ainda não é possível comprovar isso
    • A história de Shazaam cresceu tanto que o próprio Sinbad precisou vir a público e dizer que não, esse filme não existe
    • Na cultura pop, o Efeito Mandela funciona como essas letras erradas de música que ficam mais famosas que os versos originais
    • A explicação mais racional para a teoria são memórias falsas, fenômeno estudado pela psicologia desde a década de 1970. Essas informações deturpadas têm uma relação com algo que de fato aconteceu. Por exemplo: no ano do suposto lançamento de Shazaam, o ex-jogador de basquete Shaquille O’Neal estrelou Kazaam, cujo roteiro era extremamente parecido com o do filme que nunca existiu
  • CONSULTORIA Natalia Maria Aggio, doutora em psicologia pela UFSCar (São Paulo)
    FONTES Vox, Reddit, Mandela Effect, Scientific American e New States Man

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