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Beber café pode mudar a expressão de nossos genes (para melhor)

Novo estudo pode explicar o porquê da bebida estar associada a tantos benefícios de saúde. E a chave de tudo está em um processo chamado epigenética.

Por Bruno Carbinatto - 30 abr 2020, 18h41

Você é daqueles que não dispensa um bom cafezinho pela manhã? Se sim, essa é, possivelmente, uma boa notícia. Uma equipe de pesquisadores pode ter encontrado um efeito bastante peculiar na bebida: o café parece alterar a maneira como nossos genes se expressam – para melhor.

Diversas pesquisas anteriores já demonstraram benefícios do café à saúde em áreas variadas. Só para citar alguns: a bebida ajuda a prevenir ataques cardíacos, diabetes e demência, além de melhorar o funcionamento do fígado e da memória. Como se não bastasse, o café também parece estar ligado até a um período de vida mais longo. Mas ninguém nunca soube explicar ao certo o porquê desses benefícios. 

O novo estudo, que ainda é preliminar, aponta que o café e, em menor medida, o chá, podem estar ligados a processos epigenéticos em nosso corpo. Epigenética é tudo aquilo que altera a expressão de nossos genes, ou seja, o aumento ou diminuição da atividade de algum gene em determinado momento, sem ter que de fato alterar nossa sequência genética. É diferente de uma mutação genética, que altera definitivamente nosso código de genes e é irreversível. Fatores ambientais podem causar alterações epigenéticas, bem como nutricionais – é aí que o café parece entrar.

Na pesquisa, a equipe de cientistas analisou 15.800 pessoas com ascendência europeia ou africana – a base de dados foi propositalmente grande e diversa para generalizar resultados a grandes população. Eles descobriram que, quanto mais café uma pessoa bebia por dia, mais mudanças epigenéticas eles tinham em 11 partes específicas do DNA. Essas mudanças ocorriam por um processo chamado metilação de DNA, um tipo de mecanismo epigenético que adiciona um grupo metil (grupo formado por um átomo de carbono e três de hidrogênio) na sequência do nosso DNA, sem alterá-la permanentemente.

Mas isso não era suficiente, já que a correlação poderia ser uma mera coincidência ou estar sendo causada por outro fator que não é o café. Por isso, a equipe ajustou os resultados por outros fatores de cada pessoa, como peso, idade, sexo, consumo de álcool ou cigarro e outros. E mesmo depois disso, eles se mantiveram. Ainda não é uma prova de causalidade, mas é uma forte indicação de que o café pode mesmo influenciar na ativação de certos genes.

Genes esses, aliás, que tendiam a estar relacionados a processos envolvidos na saúde do corpo, como a digestão, controle de inflamação e proteção contra substâncias químicas nocivas. Se de fato o café altera a expressão desses genes, é possível que isso explique seus benefícios em nossa saúde. Mas mesmo a equipe lembra que esse é o primeiro estudo do tipo – são necessários outros para entender melhor como o expresso de cada dia age em nosso corpo.

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