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Do que é feita a ração de cachorro?

Entram coisas que não servem nem para fazer salsicha. Mas, tirando isso, a comida deles é similar à nossa - com corantes, flavorizantes e ingredientes processados

Por SUPER Atualizado em 27 fev 2019, 19h34 - Publicado em 12 mar 2011, 22h00

A básica – Farinha de vísceras
Separe tudo o que não entra na sua canja: estômago, tripas, pulmões, cabeça e pés de galinha – a Anvisa permite que todos esses ingredientes entrem na receita. Jogue tudo em uma panela e deixe cozinhar. Prense a mistura e, em seguida, passe-a por uma máquina de moer. Pronto, você já tem uma boa parte da ração do seu cachorrinho. Não fique pálido, a coisa não é ruim: a farinha é recheada de proteínas.

A nutritiva – Farinha de carne e ossos
Aqui, o ingrediente principal é a carcaça de bovinos (em outras palavras, aquilo que não serviu nem para fazer salsicha). As partes são trituradas e cozidas. Então, retira-se o excesso de líquidos e deixa-se a mistura secar. Daí vem a prensagem, quando se tira a gordura, e a moagem, que homogeneiza a papinha. Se o seu cão falasse, ele garantiria: parece até que tem carne! Além de realçar o sabor, é fonte de cálcio, ferro, fósforo e proteína.

O cimento – Quirera de arroz
Pra completar o banquete, um pouco de arroz não selecionado. Independentemente do seu aspecto, aqueles grãos sem casca e quebrados também são fonte de carboidrato e, portanto, de energia. Como é rica em fibras, a quirera ajuda na formação do bolo fecal, facilitando a digestão. Sendo mais claro: o cocô fica consistente, sequinho e mais fácil de ser retirado da calçada.

O amor – Hidrolisado de carne
A mistura está boa, mas cães exigentes poderiam torcer o focinho. Para convencê-los de que tem carne por ali, acrescenta-se o hidrolisado, resultado da ação de enzimas sobre tecidos e órgãos de bovinos. O que fica é um caldo grosso, que é transformado em um pó usado para realçar o sabor da gororoba. Esse não é um truque exclusivo para cães: ou você nunca ouviu falar em caldo de carne?

O vendedor – Corante
A paleta de corantes é grande – natural caramelo, amarelo crepúsculo, amarelo tartrazina, azul indigotina – e tem como única função atrair os donos do bichinho. Afinal, cachorros não enxergam cores, certo? Pode ser uma maneira de te convencer de que ali há carne e vegetais. Ou de inconscientemente te dar água na boca: esses são os mesmos corantes usados nos teus salgadinhos de pacote favoritos.

O multiuso – Dióxido de titânio
Mas, antes de pintar a comida com essas cores tão apetitosas, é preciso descolorir tudo. É aí que entra o dióxido de titânio, um sal que faz pela ração canina o mesmo que a água oxigenada faz pelo cabelo humano. Fora do mundo cão, esse mineral também é o responsável pela aparência branca e cremosa dos sabonetes e por proteger a nossa pele da radiação solar.

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Fontes Aulus Carciofi, doutor em veterinária pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP; Ariovaldo Zanni, diretor executivo do Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal; Kelen Zavarize, especialista em nutrição de cães e gatos pela UFLA; Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

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