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Cegueira: No escuro

Quando as mãos e os ouvidos tomam o lugar dos olhos.

Por 1 jun 1998, 22h00 | Atualizado em 31 out 2016, 18h38
Cegueira: No escuro Priorizar nos meus resultados Google

Claudio Angelo

A primeira coisa que se ensina a um bebê cego é a percepção das mãos”. A pedagoga Mara Siaulys, hoje presidente de uma organização de assistência a deficientes visuais, fala com base na própria experiência. Sua filha, Lara, que nasceu prematura, ficou totalmente cega devido a um descolamento de retina ocorrido na incubadora da maternidade.

A cegueira pode ter diversas causas, desde deficiências genéticas até infecções e traumatismos. Um indivíduo é considerado “socialmente cego” quando sua visão não basta para que ele aprenda a ler. Para perceber o mundo, o cego desenvolve os sentidos que lhe restam de maneira muito mais aguçada que os videntes. Com as mãos e os ouvidos, ele lê, se orienta e pode até fazer coisas como navegar na Internet.

Quem sabe é super

O tracoma, doença infecciosa causada por um parasita, é responsável por 15% dos casos de cegueira no mundo. É um mal endêmico nos países do Oriente Médio, o que explica a grande quantidade de mendigos cegos nas histórias das Mil e Uma Noites.

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O homem do espelho

A cegueira de Borges era hereditária.

O escritor argentino Jorge Luís Borges (1899-1986) começou a ficar cego na infância, devido a uma degeneração genética da retina, herdada do pai. Em 1950, já não conseguia ver, e dependia de parentes e amigos para colocar suas obras no papel. Os espelhos, representando a busca da identidade, eram um tema recorrente em sua obra. Borges também escreveu sobre a suprema ironia de Deus, que “deu-me os livros e, ao mesmo tempo, a noite”. O texto a seguir é um fragmento de seu poema “O cego”, publicado em 1972.

“Despojaram-no do tão vasto mundo

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Dos rostos, que não são o que eram antes,

Das vizinhas ruas, hoje distantes,

E do côncavo azul, ontem profundo.

Dos livros só lhe resta o que reserva

A memória, essa forma de olvido

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Que retém o formato, não o sentido

E que míseros títulos conserva.

O desnível espreita. Cada passo

Pode bem ser a queda. Sou o lento

Prisioneiro de um tempo sonolento

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Que não marca sua aurora nem ocaso.

É noite. Não há outros. Com o verso

Devo lavrar meu insípido universo.

Ameaças à vista

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Conheça algumas doenças que podem levar à cegueira.

Catarata

Principal causa de cegueira, acontece quando o cristalino torna-se opaco, em geral devido à idade. A visão fica turva.

Glaucoma

Causado pela má drenagem do humor aquoso. A pressão dentro do olho sobe e o nervo ótico é danificado.

Descolamento de retiana

Geralmente causado por inflamações ou traumatismos. A retina fica como um papel de parede solto.

Degeneração da mácula

Acontece nos idosos. Uma mancha escura aparece no centro da visão, e pode tomar toda a retina.

Ver com as mãos

O alfabeto Braille foi construído a partir de combinações entre seis pontos em relevo. Para ler, o cego usa os dois dedos indicadores ao mesmo tempo. Com um deles, tateia os sinais. Com o outro, localiza as linhas

Visão cibernética

Projeto para curar a cegueira mais parece ficção científica.

Roberto Wüsthof

Geordi La Forge, o engenheiro-chefe da nave estelar Enterprise, do seriado Jornada nas Estrelas – A Nova Geração, é cego de nascença. Graças a óculos especiais, ele pode ver. Ficção científica? Se depender de um grupo de cientistas alemães, essa fantasia logo será realidade. Seu projeto de retina artificial poderá fazer com que milhões de vítimas de retinite pigmentosa – uma doença que degenera as células receptoras de luz – voltem a enxergar.

A visão artificial começa com sensores integrados em óculos como os de La Forge. Esses sensores trabalham com um microchip na retina. O chip desencadeia um impulso nervoso, fazendo com que a informação visual chegue ao cérebro. “Até o ano 2001 deveremos estar fazendo testes com voluntários”, disse à SUPER o professor de Neuroinformática Rolf Eckmiller, da Universidade de Bonn, na Alemanha, que coordena o projeto de criação da retina artificial.

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Estádio de futebol lotado com bandeira do Brasil e bola no campo, um jogador comemorando, e capas de revistas Veja, Super, Viagem e Quatro Rodas flutuandoTorcedor de costas, vestindo camisa amarela, comemora com os braços erguidos em um estádio de futebol lotado, sob um céu verde-azulado. Uma bola de futebol com a bandeira do Brasil está no campo. À direita, um fundo verde escuro com um ícone de árvore branca no canto inferior.
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