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Coronavírus: para que servem as máscaras na pandemia?

A máscara provavelmente não vai impedir que você pegue a doença – mas pode evitar que um infectado passe o vírus adiante. Entenda

Por Bruno Carbinatto - Atualizado em 25 mar 2020, 12h31 - Publicado em 17 mar 2020, 19h31

Desde que a pandemia de Covid-19 teve início na China, a imagem de pessoas usando máscara em público se tornou um símbolo da doença. Mas a Organização Mundial da Saúde (OMS), bem como o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, não listam o uso de máscaras como uma das medidas para prevenção. Por quê?

A Covid-19 se transmite, principalmente, por gotículas de saliva contaminadas que acabam sendo levadas pelas mãos para aberturas do corpo, como boca e nariz. O risco de transmissão pelo ar, até agora, parece baixo. Por isso, o uso de máscaras não garante que você não será contaminado – se você levar às mãos ao rosto para ajeitar a máscara, por exemplo, o vírus conseguirá entrar de qualquer jeito. O ideal mesmo é manter as mãos sempre higienizadas com água e sabão ou álcool gel, principalmente ao retornar de ambientes públicos, além de evitar grandes aglomerações, não dividir objetos pessoais e não tocar o rosto.

Mas as máscaras podem ter um efeito benéfico no controle da epidemia: impedir que pessoas infectadas levem o vírus adiante. Com a boca e o nariz cobertos, os fluídos dessas pessoas não entram em contato com outras pessoas ou objetos, limitando o espalhamento da doença. Por isso, a OMS e o Ministério da Saúde do Brasil aconselham que pessoas com os sintomas da doença utilizem máscaras ao sair em público para evitar infectas outros.

Além disso, a recomendação é para que médicos e agentes de saúde tratando de pacientes com casos confirmados também utilizem máscaras. Nestes casos, deve-se evitar tocar na máscara e descartá-la imediatamente após o uso.

É por isso que o uso de máscaras é comum em países do Oriente, como China, Japão e Coreia do Sul – mesmo antes da Covid-19, as populações desses países são acostumadas e utilizar máscaras para evitar transmitir diversos vírus respiratórios para outras pessoas, como a gripe. No Ocidente, a imagem ainda pode causar estranhamento e até estigma.

Alguns especialistas argumentam, porém, que o uso generalizado de máscaras poderia ajudar a combater um problema da nova pandemia: o da transmissão assintomática. Ainda não está certo o quão provável é uma pessoa sem sintomas transmitir a doença para outra, mas evidências recentes apontaram que esse tipo de transmissão pode ser mais comum do que imaginávamos até agora

No ápice da crise, a cidade de Wuhan, na China, tornou obrigatório o uso de máscaras em público, sob penalidade de multa. E a cidade parece estar finalmente controlando o surto. Agora, outros países estão indo para o mesmo caminho: República Checa e Vietnã já anunciaram medidas parecidas.

Uma das preocupações das autoridades é que a busca generalizada por máscaras possa levar a uma falta do produto para os que mais precisam – os profissionais de saúde. Na China, 200 milhões de máscaras são feitas por dia, e o número ainda não é suficiente para todos. E, como ainda não há dados definitivos sobre o papel da transmissão assintomática, a OMS e outros órgãos de saúde preferem evitar esse problema ao máximo mantendo a recomendação de apenas sintomáticos utilizarem máscaras.

De qualquer forma, se você estiver se perguntando se deve ou não usar máscara, lembre-se: o que previne mesmo a doença é a higienização constante das mãos.

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