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Covid-19: Turquia inicia vacinação com Coronavac nesta quinta-feira (14)

País é o segundo a utilizar o imunizante da Sinovac em sua campanha de vacinação, depois da Indonésia. Mais de 250 mil pessoas já receberam a primeira dose.

Por Bruno Carbinatto 14 jan 2021, 19h34

A Turquia começou, nesta quinta-feira (14), sua campanha de vacinação contra a Covid-19 com a Coronavac, um dia após a aprovação do uso emergencial do imunizante. O país se junta à Indonésia no grupo que já está aplicando a vacina da empresa chinesa Sinovac – que poderá ser aprovada neste domingo (17) no Brasil e que protagoniza os planos de vacinação do estado de São Paulo.

Neste primeiro dia de vacinação por lá, mais de 250 mil profissionais de saúde já receberam a primeira dose do imunizante, segundo a agência de notícias estatal turca Anadolu. Segundo o plano divulgado pelo governo, a ideia é que 1,1 milhão de pessoas desse grupo recebam a primeira no período de um mês.

Já a segunda dose será administrada após 28 dias. Depois dessa fase inicial, o público-alvo da campanha serão as pessoas com 65 anos de idade ou mais.

  • O ministro da saúde turco, Fahrettin Koca, foi a primeira pessoa a receber a dose da vacina – a aplicação foi transmitida em rede nacional. Logo em seguida veio o presidente Recep Tayyip Erdogan, que também se vacinou em frente às câmeras em um hospital da capital, Ancara. Outros membros do seu partido, o Justiça e Desenvolvimento (AKP), também foram imunizados, assim como diversos oficiais importantes do país. A medida, segundo informou um porta-voz do AKP, serviu para reforçar a mensagem de que a vacina é segura e eficaz, e que todos devem se vacinar.

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    A aprovação turca para uso emergencial aconteceu em meio a dúvidas sobre a eficácia da Coronavac. Recentemente, pesquisadores do Instituto Butantan no Brasil divulgaram a taxa de eficácia geral de 50,4%, que, apesar de ser um número bom e suficiente para frear a pandemia, ficou abaixo dos resultados de outras vacinas utilizadas pelo mundo.

    Acontece que, antes da divulgação do Butantan, a Turquia já havia divulgado um número muito maior: 91,25% de eficácia. O resultado provisório, segundo pesquisadores turcos, seria de um teste com mais de sete mil voluntários, mas detalhes do estudo não foram liberados – por isso, o valor é considerado não oficial. Além disso, um terceiro número foi divulgado pela Indonésia, que já está aplicando a vacina:  65,3% de eficácia.

    A Sinovac, fabricante do imunizante, alegou que todos os países receberam doses do mesmo lote, e que as diferenças no número são devido aos protocolos de teste e como cada estudo foi conduzido. A empresa ressaltou também que todos os ensaios clínicos mostram que a vacina é segura e eficaz, apesar das diferenças nos números.

    Mesmo assim, os agentes reguladores da Turquia seguiram com a aprovação. Com 83 milhões de habitantes, o país já acumula mais de 2,3 milhões de casos de Covid-19 e 23 mil mortes. Além disso, a Coronavac é, por enquanto, a única aposta de imunizante do governo turco para conter o vírus – o contrato com a Pfizer prevê que as primeiras doses só chegarão em março. Enquanto isso, três milhões de doses da Coronavac (de um total de 50 milhões, encomendadas pelo governo) já desembarcaram por lá no dia 30 de dezembro de 2020. Elas foram distribuídas em todas as 81 províncias.

    Coronavac na Indonésia

    Na última quarta (13), a Indonésia deu início à sua campanha com o imunizante, sendo que o presidente Joko Widodo também foi um dos primeiros a receber a injeção. O arquipélago de 270 milhões de habitantes é o que enfrenta um dos piores cenários da pandemia na Ásia, com quase 25 mil mortes por Covid-19. Ao contrário da maioria dos outros países, no entanto, o governo indonésio decidiu adotar uma estratégia ousada: vai priorizar a vacinação de pessoas mais jovens e economicamente ativas.

    No total, a Indonésia pretende vacinar mais de 180 milhões de pessoas em sua campanha, que contará, inicialmente, com a Coronavac, e será complementada com doses já compradas de outras empresas, como a Pfizer e a AstraZeneca. O número representa 2/3 da população do país– valor em que se calcula que a imunidade coletiva pode ser atingida.

    Assim como Brasil, outros países estão em fase de análise dos dados da Coronavac e podem aprovar o imunizante para uso emergencial em breve, como é o caso de Malásia, Cingapura e Tailândia. Observar as experiências desses países poderá ajudar a prever e planejar a campanha de vacinação por aqui.

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