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De peito aberto, transpalante

A Medicina já é capaz de corrigir problemas graves no coração sem a necessidade de um transplante. Às vezes, porém, a troca é a única saída.

Por 31 Maio 1998, 22h00 | Atualizado em 31 out 2016, 18h38
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Xavier Bartaburu

O transplante de coração é uma das cirurgias mais impressionantes. Não é para menos. Afinal, trocar um órgão que é associado às mais profundas emoções é quase como trocar de alma. Mas, às vezes, esse é o único caminho para evitar a morte. O pioneiro nesse tipo de operação foi o cardiologista sul-africano Christiaan Barnard, em 1967. A cirurgia deu certo, mas o paciente morreu 18 dias depois. No ano seguinte, o brasileiro Euríclides de Jesus Zerbini fez o primeiro transplante de coração na América do Sul, no Hospital das Clínicas de São Paulo, com o mesmo resultado. João Boiadeiro, o primeiro brasileiro com coração de outro, só sobreviveu 28 dias.

Nos dois casos, o problema foi a rejeição. Os mecanismos de defesa do corpo vêem o coração novo como um invasor, e o atacam ferozmente. Atualmente, a rejeição já não é um problema. Graças ao surgimento de drogas como a ciclosporina, a sobrevida após o transplante pode ultrapassar os dez anos. O que está em pauta agora é a compatibilidade do organismo humano com corações de animais, como o do macaco. Isso resolveria um problema – o da falta de doadores – mas criaria outro: o risco de que o coração transplantado possa carregar alguma doença ainda desconhecida e que seja mortal para os seres humanos.

A alta tecnologia já chegou à mesa de cirurgias. Hoje, é possível operar um coração com laser e microcâmeras de vídeo. Ate os transplantes viraram rotina. Nos Estados Unidos, são feitos 2 300 por ano

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Na mesa de operações

São várias as cirurgias para resolver problemas no coração. Conheça como são feitas as mais importantes.

1. A angioplastia consiste em introduzir um cateter (tubo de plástico) com um balãozinho na ponta que é inflado com ar dentro da artéria, comprimindo as placas de gordura contra a parede.

2. O marcapasso é um pequeno aparelho que estimula eletricamente o coração por meio de eletrodos. É usado em casos de arritmia, quando as pulsações perdem o ritmo natural.

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3. As pontes são um desvio para que o sangue flua normalmente. Na ponte de safena, retira-se um pedaço da veia safena da perna. No caso da mamária, puxa-se uma parte da artéria direto para o coração.

4. No transplante, o coração novo é costurado primeiro pelos átrios e, depois de removido o ar, pelas artérias aorta e pulmonar. É realizado em pacientes com doenças graves no miocárdio.

Quem sabe é super

Seis meses é o tempo médio de espera na fila do transplante do coração em São Paulo. A falta de doadores de órgãos continua sendo um problema, agravado pela urgência em certos casos de um coração novo.

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Para onde vai o sangue?

Sem coração, a circulação é feita fora do corpo.

Nas cirurgias cardíacas, a circulação sangüínea precisa ser isolada do coração. Para isso, é usado um coração-pulmão artificial, também chamado de circulação extracorpórea.

1. Pequenos tubos inseridos nas veias deslocam a circulação.

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2. Uma bomba mantém o sangue circulando.

3. Todo o sangue mandado para o interior do coração pelas coronárias é drenado e bombeado para um desborbulhador, que impede o acúmulo de ar.

4. O regulador térmico assegura que o sangue esteja em temperatura adequada.

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5. O oxigenador ou pulmão artificial é responsável pela transformação do sangue venoso em arterial. O sangue se livra do gás carbônico e ganha oxigênio.

6. Se for preciso, há sempre um reservatório de sangue.

7. O papel do rim é feito por um filtro.

8. O sangue retorna para a artéria por outro tubo.

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