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Falcatruas do esporte

As mulheres que apelam para o doping também têm suas técnicas. Uma é ficar os 15 dias que antecedem a competição sem fazer higiene íntima.

Por 30 abr 2002, 22h00 | Atualizado em 31 out 2016, 18h09
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Leandro Narloch

Dopar-se é fácil. Difícil é burlar os exames antidoping. Mas os dick-vigaristas do esporte são hábeis em saídas criativas – e bizarras. “Há atletas que injetam na bexiga a urina de outra pessoa, livre de substâncias dopantes”, afirma Tanus Jorge Nagem, presidente da Comissão Nacional de Controle de Dopagem da CBF. Funciona assim: antes da competição, enfia-se no pênis um tubo plástico. O xixi “emprestado” corre por dentro, pela uretra, até a bexiga. Dificilmente esse método pode ser de alguma utilidade na Copa do Mundo – ele ocorre principalmente em esportes de arrancadas, como natação e atletismo, cujas provas duram tão pouco que não dá tempo para o corpo produzir a urina própria.

As mulheres que apelam para o doping também têm suas técnicas. Uma é ficar os 15 dias que antecedem a competição sem fazer higiene íntima. Segundo Nagem, o efeito das bactérias que se acumulam na vagina mascara os sinais dos estimulantes na urina.

Há métodos ainda mais engenhosos. “Houve um atleta que inseriu no reto uma bexiga com urina alheia, da qual saía um canudo que, colado com fita adesiva cor da pele, ia até a ponta do pênis”, diz Eduardo De Rose, membro da Comissão Médica do Comitê Olímpico Internacional. A idéia era simular o ato de urinar, mas não enganou os médicos. Como a perseguição ao doping cerca os atletas cada vez mais, está na moda a autotransfusão, um doping “natural”, que dispensa substâncias proibidas. O atleta retira 0,5 litro do próprio sangue dois ou três meses antes do torneio e o armazena. A “papa de glóbulos”, parte sangüínea em que se concentram os glóbulos vermelhos, é reinjetada na véspera da prova. Com mais glóbulos para transmitir o oxigênio, ocorre um aumento abrupto de fôlego.

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