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Mapa mostra a abrangência do coronavírus em tempo real

A doença está crescendo mais rápido do que se esperava. Acompanhe sua disseminação.

Por Bruno Carbinatto - Atualizado em 25 mar 2020, 12h00 - Publicado em 27 jan 2020, 17h02

Desde que foi relatado pela primeira vez, em 31 de dezembro de 2019, uma nova variedade de coronavírus responsável por causar problemas respiratórios vem se espalhando rapidamente. O 2019-nCoV, como é conhecido, teve sua origem em Wuhan, cidade de 11 milhões de habitantes no interior da China, mas já ganhou ao menos 22 outros países e territórios em uma velocidade preocupante.

Em meio à crise, um mapa online foi criado para acompanhar a evolução da doença, atualizando o número de casos confirmados em tempo real. A ferramenta foi desenvolvida pela Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, e reúne informações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e de outras instituições de vários países sobre o número de casos confirmados, além do número de mortes e de pacientes curados.

Até a tarde desta sexta-feira (7), mais de 31 mil casos de coronavírus haviam sido identificados no mundo todo, totalizando 638 mortes. A enorme maioria dos infectados se encontra na China continental, mas a doença já chegou em Hong Kong, Tailândia, Macau, Austrália, Taiwan, Estados Unidos, Japão, Malásia, Cingapura, Coreia do Sul, França, Alemanha, Estados Árabes Unidos, Vietnã, Camboja, Canadá, Itália, Finlândia, Índia, Sri Lanka, Filipinas e Nepal. Na maioria desses lugares, porém, os casos estão sendo considerados “importados” da China, e não há comprovação de que os pacientes tenham infectados internamente. Mas Alemanha e Estados unidos já confirmaram que indivíduos que nunca estiveram na China foram infectados somente pelo contato com outros infectados já no país.

Mais rápido do que se imaginava

O novo mapa só mostra casos em que a doença foi confirmada. O problema é que milhares de pacientes em dezenas de países ainda estão em observação, aguardando diagnóstico. E, com a indicações de que o 2019-nCoV pode passar para outras pessoas antes mesmo de os primeiros sintomas aparecerem no hospedeiro, o problema pode ser ainda maior.

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Um estudo de pesquisadores do Imperial College London, na Inglaterra, estimou que o número básico de reprodução do coronavírus seja de, aproximadamente, 2.6. Isso significa que cada paciente infectado pode passar o vírus adiante para aproximadamente três pessoas.  Mas o estudo analisou os dados supondo que o coronavírus só consegue passar entre pessoas depois dos sintomas aparecerem – o que ainda não se sabe se é mesmo verdade.

Segundo o ministro da Saúde da China, pacientes assintomáticos também podem levar a infecção adiante durante o chamado período de incubação do vírus, tornando o controle da doença ainda mais difícil, visto que essas pessoas continuam a ter contato com outras pessoas fora de casa. Com base nessa possibilidade, um novo estudo de pesquisadores chineses em Hong Kong estimou que uma única pessoa doente pode infectar de 3 a 5 pessoas – o que torna o coronavírus muito mais contagioso do que se pensava até então.

Especialistas agora afirmam que mesmo os casos internacionais importados da China podem ter contaminado pessoas em outros países. O Centro de Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos já alertou que, provavelmente, mais casos da doença serão identificados no país, possivelmente derivando dos seis casos já confirmados.

Isso explicaria porque o novo vírus infecta novas pessoas de forma mais rápida que seus parentes da mesma família viral, que causam doenças semelhantes. O vírus da SARS (Síndrome respiratória aguda grave), por exemplo, se espalhou em 2002 e 2003, tendo origem também na China, e infectou mais de 8 mil pessoas no total, matando quase 800. De maneira semelhante, um outro coronavírus, responsável por causar a MERS (Síndrome respiratória do Oriente Médio), se espalhou principalmente no Oriente Médio e causou centenas de óbitos. Mas esses coronavírus só eram transmitidos depois que os sintomas apareciam. Isso tornava o controle mais fácil.

O que está sendo feito?

O governo chinês vem tentando desacelerar o contágio da doença com diversas medidas. A mais proeminente delas foi colocar diversas cidades, incluindo Wuhan, em quarentena, fechando estradas e efetivamente impedindo a locomoção de mais de 50 milhões de pessoas no país. Uma restrição de locomoção nessas proporções nunca foi utilizada na história.

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Além disso, o governo chinês têm recomendando a seus cidadãos evitar o máximo possível o contato direto com outras pessoas, além do uso de equipamentos de proteção, como máscaras e luvas. Alguns países, como os Estados Unidos, também estudam evacuar seus cidadãos de embaixadas e consulados na China.

O prefeito de Wuhan, epicentro da crise, renunciou ao cargo e admitiu ter parte da culpa pelas proporções do problema. O governo vinha sendo duramente criticado por sua lentidão em responder aos casos da doença, e segundo o prefeito Zhou Xianwang, teria omitido informações sobre o número de pessoas contaminadas e a disseminação da doença. Cientistas e pesquisadores ao redor do mundo também criticam a falta de transparência da China em divulgar dados atualizados sobre a epidemia. 

Por todo o mundo, cientistas correm contra o tempo para estudar o novo vírus e desenvolver uma possível vacina. A possibilidade mais promissora parece vir de pesquisadores australianos da Universidade de Queensland, que esperam começar os testes em humanos em cerca de três meses.

E no Brasil?

Até agora, nenhum caso da doença foi confirmada por aqui – nem em qualquer outro país latino-americano. Nove suspeitas foram descartadas pelo Ministério da Saúde em todo o território, por não atenderem aos requisitos da OMS (os pacientes não estiveram na China). Outros nove são considerados suspeitos e atendem aos requisitos internacionais. Com isso, país já se prepara para a possibilidade do coronavírus chegar por aqui.

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Recentemente, o Hospital das Clínicas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) anunciou um plano operacional para combater casos do 2019-nCoV caso ele apareça no Brasil. O centro, considerado uma referência em infecções contagiosas, estipula que um paciente só será considerado suspeito caso tenha estado na China ou tenha contato com alguém que esteve por lá recentemente – além de apresentar sintomas típicos, como tosse e febre.

O teste que confirma a presença do coronavírus até existe no Brasil – é oferecido pelo Hospital Albert Einstein, em São Paulo e, recentemente, pelos laboratórios dos institutos Adolfo Lutz (SP) e Evandro Chagas (PA) – mas ainda é pouco abrangente. Enquanto isso, os médicos são instruídos a testar outras possibilidades de doenças respiratórias que causam sintomas parecidos antes de enviar amostras para análise.

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