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Nova Zelândia retoma quarentena após novos casos de Covid-19

Quatro infecções por transmissão local bastaram para colocar a cidade de Auckland em novo lockdown. O país estava há 102 dias sem nenhum registro da doença.

Por Rafael Battaglia - 11 ago 2020, 18h35

A Nova Zelândia é um dos países mais bem-sucedidos no combate ao novo coronavírus. No final de abril, enquanto boa parte do mundo enfrentava momentos críticos da pandemia, os neozelandeses já afrouxavam a sua quarentena. Pouco tempo depois, em junho, a primeira-ministra Jacinda Ardern anunciou que o país estava em vias de se livrar da ameaça.

O sucesso se deve a uma série de medidas adotadas por lá, como quarentena restritiva, testagem em massa da população e rastreamento da cadeia de infecção do vírus. Um bom exemplo é o sistema de monitoramento criado pelo Ministério da Saúde neozelandês, que rastreia clientes que voltaram a frequentar bares e restaurantes após a reabertura. Por meio de um aplicativo, é possível saber se você esteve em contato com alguém que, possivelmente, foi infectado – o que facilita a prevenção e o isolamento social.

Mas, apesar da retomada cautelosa, a Nova Zelândia registrou quatro novos casos de transmissão local de Covid-19 nesta terça-feira (11). O país estava há 102 sem contabilizar qualquer infecção pelo novo coronavírus.

Todos os novos casos pertecem a uma família de Auckland, maior cidade do país, com cerca de 1,5 milhão de habitantes. Entre os infectados está um homem de 50 anos e uma criança que ainda não frequenta a escola. De acordo com o Ashley Bloomfield, diretor-geral de saúde da Nova Zelândia, nenhum deles viajou para o exterior recentemente.

Tanto Bloomfield quanto Ardern afirmaram que o país está preparado para enfrentar o ressurgimento do vírus. Os quatro casos de Auckland foram o suficiente para a cidade voltar ao lockdown. Desde 9 de junho, a Nova Zelândia se encontrava na fase mais branda da quarentena, com grandes eventos e sem distanciamento social – um retorno quase completo à normalidade.

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Quais serão as medidas adotadas após os novos casos?

As restrições em Auckland voltarão a valer a partir desta quarta-feira, dia 12. A cidade entrará no que o país considera o nível 3 de restrições: o acesso ficará restrito a moradores, e apenas quem é funcionário de serviços essenciais, como mercados e farmácias, poderá trabalhar fora de casa. Esses trabalhadores poderão deixar seus filhos nas escolas, que voltarão a fechar para o resto da população.

Espaços públicos, museus e escritórios não poderão abrir, mas bares, lanchonetes e restaurantes foram liberados para operar entregas via delivery ou retirada nos estabelecimentos. O tom dos anúncios oficiais não é alarmista – mesmo assim, diversas pessoas saíram de casa na noite anterior para estocar produtos. Houve engarrafamentos e panes em sites de comércio eletrônico devido ao aumento da demanda.

As novas medidas, contudo, não impedem reuniões de pessoas em casamentos ou funerais – mas o número de pessoas é restringido a dez. O resto do país entrará no nível 2 de restrições, que permite reuniões com até 100 pessoas.

O retorno às restrições depois de um período de afrouxamento não significa, necessariamente, que a pandemia voltará para o seu estágio inicial. Na verdade, esse ciclo de bloqueio e relaxamento da quarentena é algo analisado por cientistas como uma boa estratégia para conter a Covid-19.

Em maio, pesquisadores da Universidade de Cambridge elaboraram um modelo matemático para medir os impactos de um ciclo que alternasse 50 dias de medidas rigorosas de distanciamento social com 30 dias de relaxamento. O resultado foi uma duração maior da pandemia em comparação com outros cenários, mas um número menor de mortes.

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