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Novavax e Johnson anunciam eficácia de suas vacinas: 89,3% e 66%, respecivamente

Ambas funcionaram satisfatoriamente em idosos e podem ser armazenadas em refrigeradores comuns. O trunfo da J&J é que sua vacina é de dose única – o que acelera a imunização.

Por Bruno Carbinatto Atualizado em 29 jan 2021, 18h19 - Publicado em 29 jan 2021, 18h16

Duas farmacêuticas relataram nesta semana que suas candidatas a vacina contra a covid-19 tiveram boa eficácia em testes clínicos finais. A primeira foi a Novavax, que anunciou ontem (28) que seu imunizante tem 89,3% de eficácia; hoje, a Janssen – que pertence à Johnson & Johnson –, revelou que o número é de 66% para o seu produto. O minímo recomendado pela OMS é de 50%.

A Novavax, farmacêutica norte-americana, calculou a eficácia com base em dados de mais de 15 mil voluntários do Reino Unido que tem 18 e 84 anos. Desse total, 62 pessoas tiveram infecções sintomáticas de Covid-19 – 56 no grupo placebo e somente 6 no grupo de pessoas vacinadas.

Os resultados são ainda mais promissores se considerarmos que 50% dos casos de covid-19 verificados no estudo foram identificados como sendo causados pela variante B.1.1.7 – que surgiu no Reino Unido no ano passado e parece ser mais transmissível e, possivelmente, mais letal. Havia um temor de que a vacina pudesse não ser tão eficaz contra essa variante.

  • Outro ponto positivo é que 27% dos voluntários britânicos tinham mais do que 65 anos. Algumas outras vacinas já aprovadas para uso não incluíram tantos idosos em seus testes clínicos e, por isso, há preocupações sobre sua real eficácia nessa população – que é mais frágil e tem um sistema imunológico menos turbinado. Para completar, a empresa não verficiou efeitos colaterais graves em nenhuma faixa etária.

    Há apenas uma preocupação: a Novavax também concluiu um estudo menor com voluntários na África do Sul, onde uma outra variante, denominada 501.V2, foi responsável por 90% dos casos. Lá, entre os mais de 4.400 voluntários, houve 29 casos de covid-19 diagnosticados no grupo placebo e 15 no grupo dos vacinados – o que resulta em uma eficácia de 60%. É um bom número para frear o avanço brutal da pandemia, mas chama a atenção por ser bem menor que os 89% do estudo feito no Reino Unido.

    Isso é sinal de que a mutação amplamente espalhada na África do Sul é de mais difícil combate por causa de uma mutação conhecida pelo código E484K. Cientistas já haviam especulado que essa mudança no genoma do vírus pudesse facilitar sua fuga da resposta imune do corpo – o que poderia ter um impacto relevante na vacinação. No entanto, não está provado se esse fenômeno realmente acontece. Mesmo assim, a vacina da Novavax, apesar da eficácia menor contra essa mutação, ainda estaria dentro dos parâmetros de eficácia desejados.

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    Já a Johnson & Johnson calculou seus dados com base em mais de 43 mil participantes pelo mundo, entre os quais 468 tiveram Covid-19 sintomática. Em geral, a vacina teve 66% de eficácia em prevenir casos moderados e severos de covid-19 28 dias após a vacinação. Os resultados foram consistentes entre diferentes etnias e idades dos participantes, que incluíram um bom número de voluntários idosos.

    Houve variações regionais, porém: o nível de proteção contra infecções moderadas e graves foi de 72% nos Estados Unidos, 66% na América Latina e 57% na África do Sul após o mesmo período. Assim como no caso da Novavax, destaca-se a queda de eficácia na África do Sul, potencialmente por causa da variante mais elusiva do vírus, já que 95% dos casos de covid-19 identificados em voluntários no país são causados por essa linhagem.

    Você pode ter notado que a gigante farmacêutica divulgou seus dados apenas sobre casos “severos e moderados”. Consideram-se “moderados” os pacientes que apresentaram dois sintomas clássicos da covid-19 ou apenas um sintoma mais grave, como pneumonia ou falta de ar; e “severos” aqueles que precisaram de internação na UTI.

    Esse critério é parecido com o usado pelo Instituto Butantan para calcular que a Coronavac é 78% eficaz em reduzir casos moderados da doença (contra os 50% para prevenir todos os casos, incluindo leves). No caso da Johnson, em todas as regiões estudadas a eficácia em se prevenir casos severos da doença foi de 85%, sendo que não houve nenhum voluntário que desenvolveu esse quadro após 49 dias da vacinação.

    Os resultados reforçam a ideia de que essa vacina, assim como outras, é bastante eficaz em impedir a progressão da doença para casos mais graves, um objetivo importante considerando o número de mortes no mundo e a pressão sobre os sistemas hospitalares. Ainda não sabemos o quanto essa vacina (e também outras) é boa em impedir a infecção em si, já que os resultados foram divulgados apenas em um comunicado à imprensa, e o estudo não foi publicado em detalhes ainda.

    A vacina da Janssen, porém, continua tendo duas vantagens. A primeira é que, diferentemente das outras vacinas aprovadas para uso até então, ela foi testada em regime de uma única dose – o que facilitaria o processo de produção, distribuição e aplicação do imunizante. A outra vantagem é que ela incluiu voluntários brasileiros em seus testes – uma exigência da Anvisa para que as vacinas sejam aprovadas por aqui. Ou seja, é uma boa opção para ser comprada e aplicada por aqui.

    O imunizante da Johnson & Johnson se baseia na tecnologia de vetor viral – a mesma usada pela vacina da Oxford/Astrazeneca, em que um outro vírus inofensivo carrega um pedacinho do Sars-CoV-2 consigo – e pode ser armazenada em geladeiras normais (com temperaturas entre 2º C e 8º C) por até três meses. Já a vacina da Novavax é de proteína, ou seja: carrega só um pedacinho do coronavírus para dentro do nosso corpo (um antígeno) para ensinar nosso sistema imunológico a lutar contra ele. Ela também pode ser armazenada em temperatura de geladeira.

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