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Pesquisadores criam computador que detecta e classifica cânceres de mama

Um sistema parecido com os de reconhecimento facial pode reduzir custos e melhorar a qualidade do diagnóstico

Já deve ter acontecido contigo: você tira aquela foto de fim de ano, com todos os amigos reunidos. Aí, na hora, de marcar todo mundo na foto, surpresa! O próprio site do Zuckerberg já está mostrando que sabe quem é quem,. É só passar o mouse sobre o rosto dos retratados que uma janelinha aparece, para você linkar o amigo com seu respectivo perfil. Isso acontece porque a rede social possui um sistema de reconhecimento facial.

Na prática, ela pega algumas de suas fotos em diferentes posições e usa isso para conseguir identificar você em praticamente qualquer registro postado no site. Bem legal, até impressionante, mas definitivamente não é algo que vai causar grandes mudanças sociais, certo? Errado. Quer dizer, isso no que depender dos pesquisadores da Universidade da Carolina do Norte. Eles querem usar essa mesma tecnologia para uma causa bem mais nobre que seus likes: a detecção de cânceres de mama.

Os pesquisadores conseguiram digitalizar um processo que, até agora, só conseguia fazer quem passou alguns bons anos estudando: a categorização de tipos de câncer de mama com alto nível de detalhamento.

A inteligência artificial criada pelos envolvidos, na verdade, até superou seus colegas de carne e osso. Em alguns casos, identificou tumores e suas características genéticas utilizando apenas uma imagem – coisa que humanos ainda não conseguem fazer.

Os efeitos práticos desse tipo de iniciativa são notáveis – principalmente no bolso. Os pesquisadores acreditam que a tecnologia pode ser utilizada em locais onde há um déficit de recursos dedicados à saúde. “Nós gastamos milhares de dólares medindo biomarcadores e usando ferramentas moleculares; esse novo método consegue pegar uma imagem e ter 80% ou mais de precisão em estimando o fenótipo do tumor e seu subtipo. É bem incrível”, afirma em comunicado Melissa Troester, diretora do Centro de Saúde Ambiental e Suscetibilidade da Universidade, e uma das pesquisadoras envolvidas no projeto.

O computador, no entanto, não aprendeu tudo sozinho. Os pesquisadores tiveram que ensinar para a inteligência artificial o que era um tumor, como ele era visualmente, e suas características genéticas. Foram submetidas ao software 571 imagens de tumores provindos de cânceres de mama junto. Cada uma repleta de detalhamentos, como os níveis de estrogênio da paciente, por exemplo, para que o computador traçasse paralelos e criasse relações causais entre as informações.

Depois desse repositório, os pesquisadores testaram a precisão do software. Submetaram à sua avaliação novas 288 imagens, e compararam os resultados do computador com os diagnósticos feitos por médicos de verdade. OS resultados foram surpreendentemente precisos. A máquina foi capaz de distinguir, de forma assertiva, se o tumor era de alta ou grande periculosidade em 82% dos casos (mesmo entre especialistas, só há concordância dentro deste tipo de classificação em 89% dos diagnósticos).

“Há um longo caminho para percorrer em termo de validação, mas acho que a precisão vai só melhorar conforme treinamos o computador”, afirma Charles M. Perou, professor de oncologia da Universidade. Se os resultados progredirem, os efeitos disso podem ser ainda mais impactantes em relação à técnicas de tratamento do câncer. “Gostaríamos de testar quão boas essas ferramentas são em prever resultados, e se conseguimos combiná-las com informações sobre, por exemplo, dados moleculares. Dando aos pacientes, uma visão precisa sobre o curso de sua doença e quais tratamentos talvez sejam mais efetivos”, completa Troester.