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Quais são os sintomas menos conhecidos da Covid-19?

Além das já familiares complicações no trato respiratório, estudos recentes têm mostrado problemas gastrointestinais, dor no corpo e perda de olfato súbita.

Por Maria Clara Rossini - Atualizado em 7 Maio 2020, 17h12 - Publicado em 10 abr 2020, 18h05

O coronavírus já está circulando entre humanos há pelo menos quatro meses. Durante esse tempo, os sintomas mais relacionados à doença foram os respiratórios, como tosse, dificuldade para respirar e febre, que é uma tentativa do corpo de matar o invasor de calor. Isso porque o vírus afeta as vias aéreas, podendo se alojar na garganta ou chegar ao pulmão.

Disso você já sabia. Esses são os sintomas mais característicos da Covid-19. Quem contrai o novo coronavírus pode ter sintomas leves, moderados, graves, ou mesmo não apresentar sintoma nenhum – o que representa um grande risco para a transmissão do vírus, já que a pessoa pode não saber que está infectada.

Pode parecer que ele está afetando a nossa vida há séculos, mas o coronavírus é extremamente recente. Cientistas e médicos do mundo todo ainda estão descobrindo os efeitos que ele pode causar no corpo com o passar da pandemia. 

Alguns sintomas inesperados que têm aparecido são a dor de barriga, vômito, náuseas e diarréia. Médicos de Hubei, na China, foram os primeiros a verificar os sintomas gástricos nos pacientes entre os dias 18 de janeiro e 28 de fevereiro. Outro estudo feito em Wuhan foi publicado no Journal of the American Medical Association. Em um grupo de 138 pessoas com a Covid-19, 10% tiveram diarréia e enjoo antes de apresentarem os sintomas respiratórios típicos da doença. 

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Um estudo submetido ao The American Journal of Gastroenterology, que ainda não passou por revisão, analisou os sintomas gastrointestinais em 206 pacientes em estado leve ou moderado da Covid-19. Desses, 43% apresentaram apenas sintomas respiratórios, 33% também tiveram sintomas gastrointestinais e 23% apresentaram apenas os sintomas gastrointestinais.

Outro sintoma muito comentado é a perda de olfato e paladar. Um comunicado da Associação Britânica de Otorrinolaringologia alertou para a relação do coronavírus com o sintoma. Uma pesquisa de Harvard indica que o SARS-Cov-2 danifica as células do epitélio nasal e pode afetar as estruturas responsáveis por captar as moléculas que nosso cérebro interpreta como cheiros (você lê mais sobre a hipótese aqui). No entanto, a pesquisa ainda não foi publicada e aguarda pela revisão por pares.

O sintoma tem sido relatado pelos pacientes. A Universidade King’s College fez um levantamento no Reino Unido com 579 pessoas diagnosticadas com a Covid-19 por meio de um aplicativo. A perda de olfato foi relatada por 59% dos pacientes, seja em menor ou maior grau. Na Alemanha, 2 em cada 3 casos diagnosticados relataram o problema, enquanto na Coreia do Sul, que fez testagem em massa da população, o número cai para 3 em cada 10.

No Brasil, a Academia Brasileira de Rinologia (ABR), a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF) reconhecem que a perda súbita de olfato deve ser levada em conta como possível sintoma da Covid-19. Outras pesquisas ainda precisam ser feitas para explicar ao certo a relação do vírus com o sintoma.

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A manifestação mais recente do vírus são as erupções cutâneas, principalmente nos dedos dos pés, que ficaram conhecidos no exterior como “Covid Toes” ou dedos da covid. As inflamações são vermelhas ou roxas e podem adquirir um aspecto rachado, semelhante a frieiras, além de bolhas. O sintoma costuma desaparecer sem tratamento depois de algumas semanas. A Academia Americana de Dermatologia organizou um registro online para que médicos e profissionais da saúde possam relatar sintomas na pele de pacientes com a covid-19.

Ainda não se sabe qual a porcentagem dos infectados que apresenta o sintoma. Um estudo do final de fevereiro feito com mil pacientes na China apontou as erupções em 0,2% dos pacientes. Já um outro artigo da Itália com 150 infectados publicado no fim de março aponta o sintoma em 20% deles.

Ainda são necessários mais estudos para entender a relação do vírus com a manifestação na pele. Não se sabe se a inflamação é causada pelo próprio vírus ou faz parte de uma resposta imune do corpo. O sintoma não seria novidade para os dermatologistas. Outras doenças causadas por vírus também causam erupções cutâneas, como catapora, sarampo e a antiga varíola, erradicada em 1980.

A Organização Mundial da Saúde publicou um relatório em fevereiro analisando os sintomas de 55 mil pessoas que pegaram a Covid-19. Dentre eles, também estão dor muscular e nas articulações (14,8%), dor de cabeça (13,6%), fadiga (38,1%) e arrepios (11,4%).

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Não precisa se desesperar se você começar a sentir dor de barriga ou de cabeça depois de ler este texto. Na maior parte dos casos, eles são anteriores ou acompanhados dos sintomas principais da Covid-19: tosse, febre, dor de garganta e dificuldade para respirar em casos mais graves. Se os sintomas forem leves, a recomendação é ficar em casa e se tratar lá mesmo. O hospital só deve ser procurado em casos mais graves, quando há febre alta, muito mal estar ou, principalmente, dor no peito e falta de ar.

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