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Sensualidade: O jogo da sedução

Igualzinho aos animais, o ser humano também usa um ritual para conquistar seu parceiro.

Lívia Lisbôa

Mais do que falar com autoridades ou enfrentar uma platéia lotada, o desafio que causa maior tensão no ser humano moderno é o esforço para despertar o interesse de um possível parceiro ou parceira em uma relação amorosa. Os sinais são evidentes: as mãos suam, as pernas tremem, o coração dispara. “Na paquera, o corpo todo está de prontidão, na busca de se tornar mais atraente aos olhos do outro”, explica Ailton Amélio da Silva, professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo e autor de pesquisas sobre o assunto. Quando você está perto de alguém que o atrai, protagoniza, sem perceber, um ritual de cortejamento com mais de 100 tipos de atitudes já catalogadas. No infográfico à esquerda, você encontra uma amostra dos comportamentos mais freqüentes. Na hora da conquista, o ser humano não se diferencia do pavão que exibe sua cauda colorida, ou do galo que literalmente arrasta suas asinhas para o lado de sua eleita. Vale tudo para seduzir.

 

Quem sabe é super

Desde a Antigüidade, o homem atribui a plantas como a mandrágora e alimentos como a ostra poderes afrodisíacos – ou seja, de aumentar o apetite sexual.

Pura lenda. Esses produtos, quando surtem efeito, é por sugestão. Tudo se passa no cérebro de quem os consome.

 

As medidas da beleza

Para alguns antropólogos, os traços físicos associados à beleza seriam, em sua origem, indicadores das virtudes do indivíduo como reprodutor. Por essa teoria, o formato arredondado do corpo da mulher é sinal de uma presença elevada de estrógeno, um hormônio feminino, o que a tornaria mais capaz de gerar filhos saudáveis. Já as linhas angulosas do homem mostram um alto teor de testosterona, o hormônio da virilidade, indicador da aptidão do indivíduo para proteger e nutrir a família. Essas características aparecem na pintura Adão e Eva, do alemão Albrecht Dürer (1471-1528), que você vê nestas duas páginas.

 

Sutis, mas indisfarçáveis

Dez sinais que denunciam quando alguém está paquerando você.

1. As pessoas se relacionam, de uma maneira geral, em quatro distâncias: pública, social, íntima e sexual. Quando os dois precisam ficar bem pertinho para conversar, é sinal de que há um grande interesse.

2. Uma postura que denuncia o interesse é aquela em que os ombros se inclinam para a frente, em direção ao parceiro.

3. Um só tem olhos para o outro. Eles nunca terminam a conversa e são hiper-reativos a tudo o que o parceiro diz.

4. Sem querer, os dois estão com a mesma postura, copiando os mesmos gestos e procurando coisas em comum para conversar.

5. As mulheres pendem a cabeça para um dos lados, em direção ao ombro, empinam os seios e mexem muito nos cabelos. Tudo para acentuar a sua feminilidade.

6. O homem estufa o peito, encolhe a barriga e projeta a cabeça para frente, pronto para o cortejamento.

 

7. Elas costumam exibir as palmas das mãos quatro vezes mais do que eles. É uma maneira de mostrar intenções apaziguadoras e amistosas. É como se quisessem pedir calma.

8. As pupilas chegam a dilatar, pequenas rugas e olheiras podem sumir, além de ocorrer um aumento do tônus muscular. Tudo para ficar mais atraente.

9. As vozes também são sincronizadas: o mesmo volume, o mesmo comprimento das frases e vocabulário semelhante – geralmente infantilizado, com diminutivos.

 

10. O sinal universal de paquera da mulher é a timidez. Ela focaliza o seu alvo e, quando sente que conseguiu a atenção do outro, desvia o olhar. É um ritual de aproximação e fuga que elas sabem usar muito bem.

 

As moléculas do desejo

No esforço para decifrar o mecanismo da atração sexual, neurologistas dos Estados Unidos estão investigando a hipótese de uma comunicação química entre homens e mulheres. O segredo estaria nos feromônios – moléculas exaladas pelo corpo e transportadas pelo ar, que teriam o efeito de despertar o desejo do destinatário. Os feromônios já foram identificados em diversos animais, das mariposas aos macacos. Produzidos pela pele, são captados pelo ainda pouco conhecido órgão vomeronasal, receptores situados em duas minúsculas cavidades dentro no nariz. A ciência ainda está longe de mapear todos os feromônios humanos. Sabe-se apenas que eles são inodoros, que atuam no subconsciente e que existem tipos específicos para homens e para mulheres.