Trabalhar recebendo gorjeta aumenta o risco de depressão
Nos EUA, empregados do setor de serviços ganham salários baixos e dependem de gorjeta. A possibilidade de ela não aparecer prejudica a saúde mental deles
Turistas desavisados em Nova Iorque (como essa repórter que vos escreve) podem passar por várias “surpresas”: 20 dólares por uma foto na Times Square, linhas de metrô que não fazem sentido ou gorjetas obrigatórias que custam 10 dólares para o motorista de ônibus – sendo que eu já tinha pago a excursão.
Com o dólar a 4 reais, como hoje (01/08), 40 conto de gorjeta é inimaginável. Mas, parando para pensar no motorista, ele recebe até 70% a menos que o valor do salário mínimo americano. Gorjeta não é troco de pinga, como no Brasil, mas parte da renda mensal desse trabalhador. E, segundo um novo estudo da Universidade de Saúde e Ciência de Oregon, a insegurança se essa conta vai fechar ou não no final do mês está deixando esses profissionais com a saúde mental cada vez mais comprometida.
De acordo com o Pew Research Center, aproximadamente 102 milhões de americanos trabalham na área de serviços – 56% são mulheres. Ocupando posições em restaurantes, salões e transporte, esses empregos oferecem baixa remuneração com a expectativa de que as gorjetas, que são imprevisíveis, façam a diferença. Apesar de ser cultural dar gorjeta nos EUA, nem todo mundo está disposto a deixar 10 dólares a mais no fim da conta. E, por essa incerteza, os riscos de depressão, problemas de sono e estresse são bem maiores em profissionais dessa área – comparando com os empregados que recebem um salário fixo satisfatório.
“A maior prevalência de problemas de saúde mental pode estar ligada à natureza precária do trabalho na área de serviços, incluindo salários mais baixos e imprevisíveis, benefícios insuficientes e falta de controle sobre as horas de trabalho e turnos designados”, disse a autora do estudo, Sarah Andrea. “Em média, os trabalhadores que dependem de gorjetas são quase duas vezes mais propensos a viver na pobreza do que os trabalhadores que não têm um emprego”.
A análise é baseada em dados de um estudo nacional de saúde que acompanhou milhares de participantes desde a adolescência até a idade adulta. E os problemas do setor de serviços vão além das gorjetas: lidar com clientes é um desafio estressante. Comportamentos hostis e até sexualizados são algo para se conviver no dia-a-dia – o que fica bem pior para as mulheres.
No fim das contas, muitas vezes, o salário de um motorista se iguala ao de várias outras profissões médias. Sim, por causa das gorjetas. Mas a incerteza sobre se elas virão ou não está deixando esses profissionais mais vulneráveis psicologicamente.
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