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Trabalho excessivo causa 745 mil mortes por ano, indica estudo da OMS

Quem trabalha mais de 55 horas por semana tem 35% mais riscos de sofrer derrame, e 17% mais chances de morrer por doenças cardíacas isquêmicas.

Por Luisa Costa 24 Maio 2021, 16h04

Trabalhar demais é uma das causas de morte de milhares de pessoas por ano, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Um estudo realizado pela organização constatou que quem trabalha mais de 55 horas por semana possui mais riscos de sofrer derrames e doenças cardíacas isquêmicas – causadas pela coagulação e suspensão da circulação local do sangue.

Essa carga horária equivale a trabalhar pelo menos 11 horas de segunda à sexta (isso se não der uma esticadinha para o sábado e domingo também). Se considerarmos apenas os dias de semana, uma jornada de 55 horas semanais começaria às 09h e terminaria às 20h. Considerando o contexto de home office e pandemia, esse expediente já faz parte da realidade de muita gente – mas ele deveria preocupar.

O estudo é referente ao ano de 2016. Os pesquisadores estimam que, naquele ano, houve 745.194 mortes por derrames e doenças cardíacas associadas ao trabalho excessivo em todo o mundo, o que representa um aumento de 29% em relação ao ano de 2000. 

Para chegar à conclusão, os cientistas fizeram uma revisão e análise de 37 estudos sobre doenças cardíacas isquêmicas envolvendo 768 mil participantes no total. O mesmo foi feito com 22 estudos sobre derrame, que contaram com 839 mil participantes.

A análise, realizada em colaboração com a Organização Internacional do Trabalho (OIT),  indicou que as longas jornadas de trabalho aumentam o risco de derrame em 35% em comparação a jornadas de 35 a 40 horas semanais. O risco de morrer de doença cardíaca isquêmica aumenta em 17% com o excesso de trabalho, segundo os pesquisadores.

No relatório, a OMS e a OIT estimaram quantas pessoas estão expostas a jornadas excessivas de trabalho em 194 países. A pesquisa também verificou as taxas de doenças cardíacas e acidente vascular cerebral relacionadas ao trabalho em 183 países. Os dados foram compilados de acordo com sexo e idade, para os anos de 2000, 2010 e 2016.

Os pesquisadores estimam que, em 2016, cerca de 488 milhões de pessoas – ou 8,9% da população global – trabalhavam em média 55 horas semanais. No Brasil, até 4% da população está exposta a longas jornadas de trabalho. O maior problema, no entanto, ocorre no Sudeste Asiático: por lá, 11,7% das pessoas trabalham mais de 55 horas.

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As doenças relacionadas ao trabalho são mais prevalentes em homens (eles correspondem a 72% das mortes) e em pessoas de 60 a 74 anos.

Pandemia pode agravar a situação

Embora os dados mais recentes da pesquisa sejam de 2016, a OMS indica que a situação provavelmente não melhorou desde então. A pandemia da covid-19, por exemplo, mudou significativamente o modo como as pessoas trabalham. “O teletrabalho tornou-se a norma em muitas indústrias, muitas vezes confundindo as fronteiras entre casa e trabalho”, declarou o diretor geral da OMS Tedros Adhanom Ghebreyesus, em nota

“Além disso, muitas empresas foram forçadas a reduzir ou encerrar suas operações para economizar dinheiro – e as pessoas que não foram demitidas acabam trabalhando mais horas”, afirma ele.

Assim, a OMS alerta para que governos e empregadores prestem atenção às advertências apontadas no estudo, estabelecendo ou fortalecendo leis e políticas sobre limites das jornadas e encorajando uma melhor divisão do trabalho entre os funcionários.

Tedros destaca: “Nenhum trabalho compensa o risco de acidente vascular cerebral ou doença cardíaca. Governos, empregadores e trabalhadores precisam trabalhar juntos para chegar a um acordo sobre limites para proteger a saúde dos trabalhadores”.

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