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Vacina de Oxford não aumenta riscos de coágulos, aponta teste em larga escala

O teste feito com 32 mil voluntários nos Estados Unidos reforça a segurança do imunizante em adultos e idosos. A vacina apresentou 79% de eficácia para casos sintomáticos e 100% para casos graves de Covid-19

Por Carolina Fioratti 22 mar 2021, 18h24

Nesta segunda-feira (22), a farmacêutica AstraZeneca divulgou dados de um ensaio de Fase 3 da vacina AZD1222 – popularmente conhecida como vacina de Oxford – que reforçam a segurança e eficácia do imunizante. O estudo, conduzido em parceria com a Universidade de Columbia e a Universidade de Rochester, ambas americanas, acompanhou mais de 32 mil voluntários adultos, incluindo idosos com 65 anos ou mais.

Os dados indicam uma eficácia de 79% do imunizante em barrar a Covid-19 de forma sintomática – ou seja, é possível que parte das pessoas vacinadas contraiam o vírus e apresentem alguns sintomas. O mais importante, no entanto, é que a vacina se mostrou 100% eficaz em evitar quadros graves de Covid-19, em que há necessidade de internação. Ainda não se sabe se pessoas vacinadas podem transmitir o vírus, por isso cuidados como o uso de máscara e a preferência por ambientes abertos ou ventilados devem ser mantidos.

Nas últimas semanas, alguns países europeus (como Itália, Portugal e França) suspenderam o uso da vacina após relatos de que ela poderia estar relacionada ao risco aumentado de coágulos sanguíneos (trombose), incluindo trombose cerebral. No novo comunicado, a AstraZeneca afirma que não houve aumento de coagulação entre os voluntários, e que nenhum deles apresentou trombose cerebral. Um comitê de segurança conduziu uma revisão específica sobre eventos trombóticos com auxílio de um neurologista independente. Os países europeus já voltaram a aplicar o imunizante em suas populações.

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    O novo estudo também esclarece outros pontos que precisavam ser confirmados. O primeiro ensaio de Fase 3 da AstraZeneca focava, principalmente, em adultos entre 18 e 55 anos, havendo poucos dados sobre os efeitos do imunizante em idosos. A falta de evidências fez com que a vacina nem fosse liberada em alguns países, como os Estados Unidos. Dos mais de 32 mil voluntários do novo ensaio, cerca de 25% deles eram idosos com 65 anos ou mais. Para essa faixa etária, a vacina se mostrou 80% eficaz em evitar a Covid-19 sintomática e não apresentou efeitos colaterais. 

    A maior parte dos voluntários eram americanos, mas também houveram participantes no Chile e Peru. A AstraZeneca afirmou que a eficácia da vacina se manteve consistente em todas as etnias, porém houve pouca diversidade entre os voluntários da pesquisa – 79% deles eram brancos/caucasianos. Além disso, 60% dos participantes do estudo tinham comorbidades associadas ao maior risco de agravamento da Covid-19, como diabetes, obesidade e doenças cardíacas.

    Das 32.449 pessoas que participaram do estudo, 21.583 receberam o imunizante, enquanto os outros receberam um placebo. No total, foram reportados 141 casos sintomáticos de Covid-19. As vacinas foram oferecidas no regime de duas doses, com intervalo de quatro semanas entre a primeira aplicação e a segunda. 

    Ensaios anteriores mostraram que a vacina apresenta uma maior eficácia se for aplicada com um intervalo estendido de até 12 semanas. No Brasil, o imunizante está sendo oferecido dessa forma, sob autorização da Anvisa. A vacina de Oxford-AstraZeneca pode ser transportada e manuseada em condições normais de refrigeração (de 2 a 8 graus Celsius) por pelo menos seis meses, o que facilita a logística de distribuição.

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