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Vacina de Oxford contra Covid-19 tem 70% de eficácia, diz estudo

Imunizante desenvolvido em parceria com a farmacêutica AstraZeneca foi o primeiro a publicar resultados de fase 3 em uma revista científica.

Por Guilherme Eler Atualizado em 8 dez 2020, 20h20 - Publicado em 8 dez 2020, 19h41

A Universidade de Oxford, no Reino Unido, publicou nesta terça-feira (8) um estudo científico sobre a fase 3 dos testes da vacina que desenvolve em parceria com a farmacêutica AstraZeneca. Segundo a pesquisa, divulgada na revista The Lancet, a candidata a imunizante é segura e protege contra o coronavírus em 70,4% dos casos. Foi a primeira vez que uma vacina contra Covid-19 publicou resultados revisados por cientistas sobre testes de imunidade com grandes grupos.

A porcentagem de imunização e outros dados relativos a ação da ChAdOx1 nCoV-2019, nome dado à vacina, não são novidade. Oxford e AstraZeneca já haviam antecipado esses resultados no dia 23 de novembro, por meio de um comunicado à imprensa – como você viu aqui na Super.

O estudo recém-publicado é focado na resposta de pacientes entre 18 e 55 anos, faixa etária de 80% dos quase 24 mil participantes que receberam a vacina. Desse total, só houve três casos de reações graves – nenhuma delas ligada a voluntários vacinados. Participaram dos testes pessoas do Reino Unido, Brasil e África do Sul. De acordo com os pesquisadores, os dados sobre a resposta à vacina de pacientes acima dos 56 anos, incluídos posteriormente no estudo, serão publicados no futuro.

  • A falta de informações quanto à resposta em idosos pode atrasar a vacinação em países que têm conversas adiantadas com Oxford/AstraZeneca para a compra de doses e produção de vacinas. É o caso do Brasil, que assinou em agosto, via Fiocruz, um acordo com a AstraZeneca. O contrato prevê a compra de 100 milhões de doses – quantidade suficiente para vacinar 50 milhões de brasileiros. Segundo o Ministério da Saúde, trabalhadores de saúde, indígenas e idosos acima dos 75 anos devem ter prioridade de imunização.

    Em reunião com governadores nesta terça-feira (8) o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, informou que a Anvisa deve demorar pelo menos 60 dias para aprovar o uso de uma vacina contra a Covid-19 no país. Há uma semana, o órgão declarou que o Plano Nacional de Imunização dará preferência para vacinas termoestáveis, que possam ser armazenadas entre 2°C e 8°C. É o caso da versão feita por Oxford/AstraZeneca.

    Os 70% de imunização alcançados pela vacina de Oxford estão acima do percentual recomendado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária): 50%. Ainda assim, é uma parcela mais baixa do que a divulgada por outras candidatas a imunizante contra Covid-19, como as desenvolvidas por Pfizer (95%) e Moderna (94,5%). Vale ressaltar, também, que a taxa de proteção de 70% indica uma média. Isso porque a vacina de Oxford foi testada sob dois regimes de aplicação, com doses diferentes.

    No total, 11.636 voluntários, do Brasil e Reino Unido, foram testados. 8.895 deles receberam duas doses completas da vacina, com um intervalo de um mês. Nesse caso, a eficácia foi de apenas 62%. Outro grupo, com 2.741 pessoas, recebeu metade de uma dose seguida de uma dose completa, no mesmo intervalo de tempo. Fazendo assim, a eficácia da vacina saltou para 90%.

    A opção por dar apenas meia dose aos pacientes de início – algo incomum em estudos com vacinas – foi questionada pela comunidade científica. A AstraZeneca admitiu o erro de processo, mas ainda não explicou por que a taxa de imunidade foi superior no segundo caso.

    Diferentemente dos produtos desenvolvidos por laboratórios como Pfizer e Moderna, a vacina de Oxford é feita utilizando um adenovírus que infecta chimpanzés. Em humanos, o vírus pode causar um resfriado comum, mas, para a produção da vacina, foi modificado para não se reproduzir no organismo. Além disso, o tal vírus ganhou, também, a proteína spike – os “espetos” que o coronavírus usa para entrar nas células. Assim, a vacina de Oxford consegue enganar o sistema imune humano. Após desenvolver anticorpos para a ameaça fake, o corpo de um paciente imunizado saberá como lidar com o coronavírus caso for infectado para valer no futuro. É a mesma técnica usada pela Johnson & Johnson, empresa que também vem testando sua candidata a vacina no Brasil. 

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