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Vício em trabalho está ligado a vários distúrbios psiquiátricos

Déficit de atenção, TOC e ansiedade são muito mais comuns entre as pessoas que trabalham demais.

Você chega em casa, mas na sua cabeça ainda está logada no computador da empresa. Tem que se concentrar para não acessar os e-mails no domingo de manhã. Esse descontrole na importância dada ao trabalho já pode ser um problema complicado sozinho — essas pessoas geralmente se afastam da família e vivem sob um estresse constante.

Mas a situação fica ainda mais complicada: em um novo estudo com mais de 16 mil pessoas, cientistas descobriram que alguns distúrbios psiquiátricos aparecem muito mais em quem é viciado em trabalho.

Dos 16.426 trabalhadores noruegueses que participaram da pesquisa, 7,8% eram compatíveis com o diagnóstico de vício no trabalho. Três em cada 10 deles também tinham sinais de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Entre os que não eram workaholics, só 12% apresentavam TDAH.

Na mesma proporção, a ansiedade é mais comum entre os trabalhadores compulsivos — aflige 33% deles, e só 11% dos sadios.

E a pesquisa vai além: mais de um quarto dos workaholics apresentavam o transtorno obsessivo-compulsivo. O TOC era ainda menos comum no outro grupo: só aparecia em 8,7% dos voluntários.

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A linha entre um trabalhador dedicado e um workaholic é difícil de definir, mas geralmente os viciados em trabalho não conseguem controlar o tempo que passam na labuta — se planejam para parar às 17h e, quando percebem, viraram a madrugada. Outro alerta é quando o paciente passa a sacrificar outras obrigações — sociais, familiares e até de saúde — para seguir trabalhando.

Apesar da relação entre o vício no trabalho e os distúrbios psiquiátricos frequentes, os cientistas não sabem dizer se um é a causa do outro. Tanto é possível que o TOC leve a uma obsessão com o trabalho quanto o workaholic desenvolver pequenas compulsões em outras áreas.

Independentemente de quem veio primeiro, a mistura dos dois geralmente potencializa ambos os distúrbios. Os pesquisadores acham provável que pessoas com déficit de atenção acabem se forçando a trabalhar em excesso para compensar as distrações. Quanto mais ficam cansadas, mais difícil se concentrarem, e assim segue o ciclo.

Para os ansiosos e as pessoas com TOC, o trabalho vira uma compulsão socialmente aceitável. A ideia generalizada de que trabalhar faz bem acaba escondendo o lado compulsivo do estilo de vida dos workaholics. O mesmo trabalho que “enobrece o homem”, na dose errada, adoece.