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8% da superfície terrestre pode afundar até 2040, sugere estudo

Problema vem do excesso de exploração subterrânea, como extrações de água, petróleo e gás. Mais de 635 milhões de pessoas podem ser afetadas.

Por Rafael Battaglia 7 jan 2021, 17h29

Na última semana, uma pesquisa publicada na revista Science trouxe estimativas preocupantes. Segundo ela, 12 milhões de quilômetros quadrados do solo terrestre (8% da superfície da Terra) podem sofrer com problemas de sustentação até 2040 e afundar – algo que afetaria mais de 635 milhões de pessoas.

A origem do problema está no que os geólogos chamam de subsidência, um fenômeno no qual o solo perde capacidade de sustenção devido a atividades como extração de petróleo, gás e água subterrânea. Normalmente, a taxa de afundamento gira em torno de poucos centímetros por ano – a longo prazo, porém, as coisas podem ficar complicadas.

O problema não é novidade. Em 2019, noticiou-se que Jacarta, capital da Indonésia, sofre com uma crise de afundamento do solo. Previsões indicam que, até 2050, 90% do norte da cidade pode ficar submerso. A região é pantanosa – 13 rios passam por lá –, o que agrava a situação.

Além disso, boa parte da população local de Jacarta usa água subterrânea para as necessidades do dia-dia, desde cozinhar até para beber. A extração de água, diga-se, é uma das maiores causas de subsidência. No estudo, que revisou diversas pesquisas já existentes sobre o tema, os cientistas identificaram mais de 200 locais, em 34 países, onde a raiz do afundamento estava na exploração de lençóis freáticos.

Para dimensionar o problema, os pesquisadores elaboraram um modelo que projeta a subsidência global futura. Ele leva em conta as tendências de afundamento do solo das últimas décadas, o crescimento populacional e o consequente aumento da demanda por água.

Com isso, eles estimaram que 1.596 grandes cidades possuem áreas com risco de afundamento. São centros urbanos densamente povoados em regiões irrigadas, com alto uso de água subterrânea – 57% deles também estão propensos a sofrer inundações.

Dentre os locais mais atingidos estarão o norte da China, a planície costeira do Golfo do México, deltas de rios no Vietnã, Egito e Holanda e bacias sedimentares no México, Irã e Mediterrâneo. Das 635 milhões de pessoas que podem ser afetadas, 86% delas vivem na Ásia.

O estudo pode ajudar governos e líderes mundiais a formularem estratégias de mitigação do problema, como pensar em fontes alternativas de água e explorações conscientes do solo, tanto das pessoas como das indústrias. Hoje, apenas China e Holanda levam em conta o afundamento do solo ao planejar suas economias.

 

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