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Como Charlie Chaplin mudou as leis de paternidade nos EUA

O ator foi parar no tribunal quando se negou a assumir que era pai de uma criança. A ciência concordou com ele, mas a Justiça não. Entenda o caso.

Por Luisa Costa Atualizado em 3 Maio 2022, 10h25 - Publicado em 28 abr 2022, 17h15

No início da década de 1940, Charlie Chaplin se envolveu em uma bela confusão. O ator e cineasta inglês foi parar nos tribunais da Califórnia (e nas páginas dos jornais) quando não quis assumir que era pai de uma criança – caso que mudaria as leis referentes à paternidade nos Estados Unidos.

A mãe da menina se chamava Joan Barry. Ela era uma jovem e promissora atriz em 1941, quando conheceu Chaplin. O artista chegou a convidá-la para participar de um filme, e logo os dois se tornaram amantes. Era uma relação problemática, que atingiria seu clímax em 1943 com a gravidez de Joan.

A criança, Carol Ann, nasceu em outubro do mesmo ano. E, contrário às declarações de Joan, Chaplin negava a paternidade. Na época, o intérprete de Carlitos já estava casado com Oona O’Neill, sua quarta e última esposa, e o caso envolvendo a celebridade se tornou um escândalo.

Entre 1944 e 1945, Joan, Chaplin e a bebê Carol foram para o tribunal. Além deles, três cientistas protagonizaram o episódio – na época, testes de sangue eram o único modo científico de determinar paternidade, e os especialistas analisaram amostras dos envolvidos no caso para prestar depoimentos ao júri.

Esses testes podem provar que um homem não é o pai de determinada criança, porque esta não pode ter um antígeno de grupo sanguíneo que não esteja presente em um ou em ambos os pais. Se uma criança tem sangue tipo A, por exemplo, e sua mãe e o suposto pai são tipo O, o homem não pode ser o pai biológico de verdade.

No caso de Carol Ann, os três cientistas descobriram a mesma coisa: Joan tinha sangue tipo A e sua filha, tipo B. Por conta da hereditariedade dos grupos sanguíneos, o pai da criança, portanto, deveria ter sangue tipo B ou AB. Mas Chaplin era O.

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Antes, os ex-amantes haviam concordado que Joan descartaria as acusações se os testes sanguíneos revelassem que Chaplin não era o pai da criança. Mas não foi isso que aconteceu.

O problema é que os testes de paternidade não eram bem aceitos na época. O juiz envolvido no caso reconheceu as evidências dos cientistas, mas explicou à corte que elas não eram conclusivas.

Segundo a legislação da Califórnia, onde os julgamentos se desenrolaram, os testes sanguíneos eram só mais uma peça do quebra-cabeça – seriam considerados da mesma maneira que depoimentos de testemunhas ou a palavra de Joan.

O resultado? Em abril de 1945, um júri determinou que Chaplin era o pai de Carol Ann. Das 12 pessoas presentes, apenas uma se opôs, mesmo com as conclusões dos testes de sangue. Então o ator teve de assumir a paternidade e custear as despesas de Carol até ela se tornar adulta.

O escândalo foi um dos casos que levaram a alterações nas leis de paternidade no estado da Califórnia, alguns anos depois. A partir de 1953, a questão poderia ser resolvida a partir das conclusões de especialistas sobre testes sanguíneos. Isso também passou a valer em outros dois estados norte-americanos: Oregon e New Hampshire.

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