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Chegaram as páginas eletrônicas

Já é possível experimentar on line, ou em linha direta, um serviço pelo qual se podem ler jornais e revistas antes que cheguem às bancas, uma antecipação do que será a imprensa do futuro.

Flavio de Carvalho

A revista norte-americana Time inaugurou no mês um serviço inédito para órgãos de imprensa de grande porte. É possível ler as informações antes de chegarem à banca, consultar edições antigas, deixar comentários para o editor ou fazer assinatura on line. Muitas empresas já empregam o mesmo sistema para realizar todo tipo de venda instantânea para quem tem um micro e um modem (conexão do micro com o telefone). Coisa de primeiro mundo?
Guardadas as proporções, já existe no Brasil um sistema computadorizado parecido, já em operação, ao alcance dos dedos de quem tem um microcomputador e um modem. A mercadoria, no caso um software escolhido numa lista com milhares de opções, vem imediatamente pela linha telefônica, sem necessidade de ter de ir à loja ou esperar a entrega pelo correio – tão eficiente como as teleportagens do capitão Kirk de jornadas nas estrelas.
Outra vantagem: nesse tipo de transação predomina o espírito de confiança na honestidade do cliente. Ele pode testar o software e só pagar se sua consciência mandar. Os preços, alias, são bem menores que os cobrados nas lojas especializadas, pois se trata de shareware, software feito por programadores isolados, sem a infra-estrutura de das grandes marcas. Mas funcionam perfeitamente na maioria dos casos, com qualidade até comparável a das grandes grifes da indústria.
Os programas shareware podem ser obtidos diretamente de distribuidores, na tradicional forma de disquetes, ou então transmitido pela linha telefônica via BBS, o Bulletin Board System. O iniciante nesse serviço de correio eletrônico tem de ter alguma persistência: é difícil encontrar manuais explicando o funcionamento do sistema e quase sempre eles são em inglês. Mas quase todo BBS oferece um manual deste tipo. O problema é que ele esta no arquivo eletrônico numa forma comprimida, ilegível e deve ser antes retirado pelo Método mencionado acima, via telefone.
Onde estão os programas

Em primeiro lugar é preciso saber aonde estão guardados os programas shareware no BBSs. Depois de acessar o sistema, da maneira que foi explicada em nossa edição de setembro, o usuário chega a um quadro de comandos que varia basicamente na sua forma gráfica, dependendo do BBS escolhido. Com pequenas variações, os comandos são iguais. Os programas shareware estão armazenados sob o comando F – de files (em inglês), que costuma ser traduzido por diretórios ou arquivos Brasil (ou ficheiros, se o BBS tiver em sotaque lusitano). No caso usamos o programa de comunicações Procomm for Windows apenas por uma questão de visibilidade das telas. Mas até o Terminal do Windows pode ser usado.

Não perca tempo no telefone

O primeiro arquivo que todo iniciante deve retirar é um programa descompactador. Para gastar menos tempo na linha telefônica, foi desenvolvido software que comprimem a informação. Os dois principais são o ARJ e o PKZip, dois formatos de compressão de arquivos. Em geral os programas estão espalhados por varias repartições ou conferencias, agrupados por assuntos. No caso, do BBS PersoCom os colocou na seção 23, em “Compactadores”. Para encontrálos, não é preciso toda a lista (ela costuma ser enorme). Para não perder o tempo de acesso, que é limitado nos BBSs, existe um comando que facilita a vida do usuário. È o L, de localizar.

Protocolo de Transmissão

O programa gerenciador do BBS vai perguntar qual o nome do arquivo desejado. Não é preciso dar grafia exata, pois ele procura por semelhança. O gerenciador pergunta ainda se é para procurar em todas as conferências (All) ou apenas numa delas, no caso a 23.
Achado o arquivo, o gerenciador do BBS informa o tempo estimado para realizar a transferência e pede que o usuário escolha o protocolo de transmissão. Trata-se de uma convenção a ser obedecida pelos dois modems durante a transmissão, para corrigir erros e reconhecer alguns comandos. No terminal do Windows usam-se os protocolos Xmodem/ CRC ou Kermit, lentos e poucos eficientes. Em outros programas existem opções melhores. Se o escolhido foi o Xmodem isso deve ser informado Terminal logo depois de acionada a opção “receber arquivo binários”. O Windows pede um nome para o arquivo, que pode ser o original que constava no BBS, ou seja, ARJ241A.EXE.

Descompactar o descompactador

Completa a transmissão, é preciso descompactar o descompactador, para que ele possa se usado. Não é bom fazer isso dentro do Windows, onde o arquivo ficou depositado. Copie para um diretório novo, que deve ser criado sob o DOS, com o comando MD (Make Directory). No caso, MD ARJ (o nome pode ser qualquer um, ao gosto do usuário). Mude para esse diretório com o comando CD (change Directory) e copie nele o arquivo compactado (consulte seu manual do DOS para fazer tal operação. Não é complicado).
Vá para o diretório ARJ (com o comando CD ARJ) e basta então digitar ARJ241A. Vai passar na tela uma listagem rápida do programa sendo expandido. Pronto, agora está tudo acertado para receber e descompactar novos arquivos. Para treinar, o usuário pode retirar o arquivo de texto com o manual de operação do BBS.
Sempre que retirar um programa num BBS, não se esqueça de registrá-lo pagando as taxas estipuladas. Os programadores de shareware confiam na consciência de quem retira esses programas nos BBS. Não vai decepcioná-los.