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Nikola Tesla, o cientista maluco original

Genial e picareta, ele criou dezenas de invenções estranhas e algumas das tecnologias mais importantes dos últimos séculos

Por Fábio Marton
31 Maio 2005, 22h00 • Atualizado em 7 fev 2017, 15h17
  • O ano era 1898. Dentro de um tanque, um robô-navio obedecia ordens e fazia cálculos de todo tipo. A multidão assistia em êxtase. Já o inventor, Nikola Tesla, não via nada demais. Ele sabia que tudo não passava de um truque feito com outra invenção sua: o controle remoto. Mesmo assim, afirmou: “Este é o primeiro de uma raça de robôs que fará o trabalho braçal para a humanidade”. Tesla era uma celebridade na sua época. Grande parte de sua fama vinha de uma briga contra Thomas Edison, um dos maiores inventores de todos os tempos. O motivo era que Tesla havia criado ferramentas para tornar viável o uso da corrente alternada, um modo eficiente de transmitir energia a grandes distâncias, mas mais perigoso em caso de acidentes. Edison (que baseava suas tecnologias na corrente contínua) inventou a cadeira elétrica para mostrar os perigos da “corrente assassina de Tesla” para os seres humanos. Não teve sucesso. A corrente alternada até hoje é o que corre nos fios de alta tensão do planeta, mas a fama de diabólico perseguiria Tesla até o fim de seus dias.

    Ele colaborava para isso. Em 1898, criou uma máquina de terremotos. Era um aparelho que detectava a freqüência de vibração de um objeto e o fazia oscilar nesse ritmo. Com ela, fez uma viga de metal chacoalhar quase a ponto de romper-se e, pouco depois, repetiu a experiência no próprio laboratório. A vizinhança chamou a polícia e Tesla destruiu a marteladas a “invenção que podia partir o planeta em dois”. Seu plano final era transmitir eletricidade pela crosta terrestre, de forma que qualquer pessoa no mundo pudesse ligar uma lâmpada simplesmente enfiando-a na terra. Em maio de 1899, criou um laboratório que eletrificou os terrenos em volta. Acabou falindo em menos de um ano, quando queimou a usina elétrica local e teve de pagar indenizações.

    A partir daí, Tesla tornou-se puro folclore. Disse ter recebido sinais de rádio alienígenas (na verdade, os sinais vinham de astros e Tesla estava, sem querer, descobrindo o princípio do radiotelescópio). Quebrado, passou o resto de seus dias buscando sem sucesso alguém que bancasse seus experimentos. Sua imagem, no entanto, ficou eternizada: o pesquisador de idéias estranhas, cercado por torres que lançam raios, foi a grande inspiração para a figura do cientista louco de filmes e quadrinhos.

    Grandes momentos
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    • Nasceu em 1856 na Sérvia , tornou-se engenheiro e, em 1884, mudou-se para Nova York.
    • Disse ter criado o “raio da morte”: um canhão de partículas que destruiria inimigos a 321 km de distância. Ninguém tentou construir.
    • Morreu em 1943. Muitos acreditaram que ele havia sido levado por extraterrestres.
    • Ao morrer, deixou a um credor uma caixa que teria “parte do seu raio da morte”. Disse que seria fatal se aberta pela pessoa errada. Dentro havia uma peça comum para qualquer eletricista.
    • Seu nome virou a unidade padrão para medir a força de um campo magnético. 1 tesla equivale a 10 000 gauss.
    • 3 ganhadores do Prêmio Nobel dedicaram a ele sua conquista.

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