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Como um pen drive de 128 GB pode custar R$ 30?

O livro Free, do jornalista Chris Anderson, ajuda a entender como um camelô da Rua 25 de Março consegue vender gadgets a preço de banana

Por Enrique Tordesilhas

É fato: encontramos um pen drive de 128 gigabytes por R$ 30 na rua 25 de Março, meca do comércio popular em São Paulo. Preço imbatível, até porque 128 gigabytes é espaço pra caramba. Alguns notebooks mais simples têm 128 gigabytes no seu hd. É uma memória muito além dos padrões dos modelos disponíveis no varejo convencional, que geralmente vão até 32 gigabytes. Na internet, é possível achar aparelhinhos de 128 gigabytes, mas eles custam 10 vezes mais. Como é possível que um camelô ofereça um preço tão atraente?

Buscamos a resposta em Free – O Futuro dos Preços (Ed. Campus), novo livro do jornalista Chris Anderson (editor da Wired, autor de Cauda Longa), que se dedica a explicar como certas coisas saem de graça – ou custam quase nada.

Memória barata
E-mails ilimitados e computadores com hds de terabytes não são um milagre tecnológico, e sim uma consequência direta do barateamento da memória digital. A cada ano que passa, mais bytes custam menos. É por isso que muito celular de hoje tem mais memória do que um pc dos anos 90. Assim, a ideia de um pen drive de 128 gigabytes ser baratinho não soa lá tão absurda.

Poder informal
A rede de distribuição do comércio informal brasileiro é poderosa. No livro, Anderson dá o exemplo da Banda Calypso, que ganhou o país a partir dos camelódromos. Sem os custos de uma loja convencional, sem pagar impostos e, portanto, na ilegalidade, os vendedores ambulantes conseguem chegar a preços baixíssimos. Tudo isso numa rua que atrai milhares de pessoas todos os dias.

Confiança
O pen drive de 128 gigabytes não é confiável. Pode até estar queimado. A lição aqui é que confiança tem preço. Até o camelô ali ao lado sabe disso: ele oferece um notebook pra testar seu pen drive de 64 gigabytes – que custa R$ 55, o que dá 4 vezes mais por byte. Nenhum deles tem garantia, que só existe no comércio formal (que cobra mais por isso). Quem paga R$ 30 pelo pen drive está fazendo uma aposta.

O CERTO DEVERIA SER “REDE MAIS OU MENOS MUNDIAL DE COMPUTADORES” – APENAS 5% DA POPULAÇÃO GLOBAL TEM BANDA LARGA EM CASA.