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Evolução de uma espécie

E pensar que há 12 anos o número de aparelhos não passava de 1,2% disso. Os celulares se alastraram tão rápido que os avós dos aparelhinhos de hoje parecem relíquias arqueológicas.

Alexandre Versignassi

Mais de 1 bilhão de celulares num mundo de 6 bilhões de pessoas. E pensar que há 12 anos o número de aparelhos não passava de 1,2% disso. Os celulares se alastraram tão rápido que os avós dos aparelhinhos de hoje parecem relíquias arqueológicas. E são mesmo: os primeiros portáteis, que apareceram nos EUA em 1946, eram carregados no porta-malas do carro. Só 25 privilegiados podiam usar o sistema ao mesmo tempo, pois havia apenas uma antena por cidade.

Trinta anos depois, a situação continuava feia: em Nova York, 545 pessoas usavam o serviço e 3 700 esperavam por uma linha. O sufoco só acabou em 1983, quando estreou o sistema que conhecemos hoje: várias antenas menores (as “células”) no lugar do velho antenão.

Nesse sistema, cada célula suportava 59 ligações simultâneas. Em seguida vieram as linhas digitais, que agüentam até 20 vezes mais tráfego que as antigas, analógicas. O último salto foi quando os aparelhinhos começaram a dar acesso à internet, tirar fotos e oferecer jogos. Os celulares, no fim das contas, deixaram de ser só telefones.

História sem fio

Veja como o celular perdeu peso e chegou à internet

Modelo: Livermore LAP-2000

Ano: 1982

Peso: cerca de 10 quilos

Tecnologia: ondas de VHF e UHF, como as de TV

Curiosidade: usuário tinha de aguardar linha livre

Modelo: Motorola Dyna-Tac

Ano: 1983

Peso: 800 gramas

Tecnologia: sinais analógicos de FM

Curiosidade: é o primeiro aparelho de mão

Modelo: Ericsson HotLine Pocket

Ano: 1987

Peso: 600 gramas

Tecnologia: sinais analógicos de FM

Curiosidade: custava cerca de 3 mil dólares

Modelo: Ericsson Sandra

Ano: 1991

Peso: 200 gramas

Tecnologia: digital com velocidade de 9,6 kbps

Curiosidade: perde a cara de radião de polícia

Modelo: Motorola Startac

Ano: 1996

Peso: 88 gramas

Tecnologia: digital, acesso à internet a 14,4 kbps

Curiosidade: cabe no bolso da calça jeans

Modelo: Samsung SCH-A565

Ano: 2002

Peso: 84 gramas

Tecnologia: digital, internet a até 144 kbps

Curiosidade: visor colorido e joguinhos

Modelo: Foma F2102V

Ano: 2003

Peso: 115 gramas

Tecnologia: digital, internet a até 384 kbps

Curiosidade: videofone (veja acima)

PRÉ-HISTÓRIA – 1946-1982

O VELHO ANTENÃO

As primeiras antenas cobriam áreas de 20 quilômetros. Para que os sinais alcançassem uma distância dessas, as baterias tinham de ser bem potentes. Pesavam 20 quilos e tinham de ser instaladas em carros. Depois, emagreceram 10 quilos e mudaram-se para maletas 007.

1ª GERAÇÃO – 1983-1989

MULTIPLICAÇÃO CELULAR

O sistema celular, com várias antenas em cada região metropolitana, estreou em 1979, no Japão. Mas o boom foi em 1983, quando chegou aos EUA. No Brasil, ele só apareceu em 1990. A rede de células permitiu aparelhos com baterias pequenas. O primeiro celular exigiu dez anos de testes.

2ª GERAÇÃO – 1990-1999

PAPO DIGITAL

EUA e Europa estréiam em 1990 a tecnologia digital, que desafoga o congestionamento. Em 99, surgem os digitais capazes de se conectar à internet, mas com baixa velocidade. O custo diminui. Apesar de hoje existirem tecnologias melhores, essa geração ainda predomina.

3ª GERAÇÃO – 2000 EM DIANTE

BANDA LARGA

Chegam os aparelhos de alta velocidade. Em 2000, veio a geração 2,5, com até 144 kbps. A 3G, com velocidade de até 384 kbps, chegou em 2001. É como trocar seu computador de conexão discada para um de banda larga: você pode mandar fotos e sons quase instantaneamente.

Glossário

BINA

Sigla para “B Identifica Número A”. É como o identificador de chamadas ficou conhecido por aqui. Essa tecnologia surgiu no Brasil, em 1981, para identificar ligações em telefone fixo. Hoje, todas as operadoras oferecem serviço semelhante.

Kbps

“Kilobits por segundo.” São os “quilômetros por hora” do mundo digital. Indicam a velocidade com que os aparelhos recebem/enviam dados. Quanto mais kbps, melhor a conexão com a internet e a facilidade de baixar arquivos.

Analógico (1G)

É o primeiro sistema celular. A voz viaja em ondas de FM. Cada ligação ocupa um canal de voz inteiro. Isso faz com que ele não dê conta de redes com milhões de usuários. No Brasil, ainda funciona em 2% dos celulares.

Digital (2G)

A voz é “traduzida” em código binário, o mesmo dos computadores. Assim, diversos aparelhos usam o mesmo canal ao mesmo tempo. O digital pode ser TDMA, CDMA ou GSM. Hoje, 98% dos celulares brasileiros são digitais.

TDMA

Sigla em inglês para “múltiplo acesso dividido por tempo”. Várias ligações simultâneas alternam um mesmo canal durante frações de segundo. Agüenta três vezes mais ligações que o analógico. No Brasil: 56,9% dos celulares.

CDMA

Sigla em inglês para “múltiplo acesso dividido por código”. Esse sistema dá um código diferente para cada uma das ligações que compartilham o mesmo canal de voz. Suporta até 20 vezes mais tráfego que o analógico. No Brasil: 30,3% dos celulares.

GSM

Sigla em inglês para “sistema móvel global”. Usa tecnologia semelhante à do TDMA, mas armazena dados do telefone em um chip destacável. O usuário pode ter aparelhos diferentes com o mesmo número; basta colocar o chip. No Brasil: 10,7%.

3ª geração (3G)

Nome dos diversos sistemas (como CDMA 2000) que permitem trocar dados a até 384 Kbps. O limite teórico das tecnologias atuais é de 2 400 kbps. O nome, às vezes, batiza sistemas de 144 kbps, tradicionalmente chamados de 2,5 G.

WAP

Sigla em inglês de “protocolo para aplicações sem fio”. É um conjunto de códigos que “traduz” o conteúdo da internet para os celulares. Com ele, a gente consegue visualizar o texto de sites na telinha dos aparelhos. Mas os sites têm que ter uma versão WAP.

SMS

“Serviço de mensagens curtas”, em inglês. É a tecnologia que permite trocar textos entre celulares. As operadoras cobram alguns centavos por mensagem, e ganham muito: mais de 300 bilhões são enviadas por ano em todo o mundo.

O que pega hoje é o videofone celular, que permite conversar cara a cara com um sujeito a quilômetros de distância, como nos filmes de ficção-científica. A imagem é nítida para valer: são 216 mil cores, contra as 4 096 dos aparelhos comuns. A novidade já está bombando no Japão e engatinhando no resto do mundo