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Grupo de cientistas usa Fortnite para falar sobre mudanças climáticas

Chamados de "Climate Fortnite Squad", eles aproveitam o ambiente do jogo para debater problemas ambientais - por vezes deixados de lado nos EUA

O que você espera encontrar em uma partida de Fortnite? Um dos jogos mais populares de hoje, ele atingiu a marca de 125 milhões de jogadores em menos de um ano. Está tão em alta que é possível achar de tudo: de gente fazendo petição para acabar com o jogo porque ele vicia demais até quem procura conseguir bolsas em faculdades graças ao game.

Só não contavam com um grupo de cientistas falando sobre mudanças climáticas.

Antes dessa história, contada pelo site The Verge, uma breve explicação sobre Fortnite: os jogadores são lançados em um ambiente repleto de armas e ferramentas e, ao melhor estilo Jogos Vorazes, precisam eliminar uns aos outros. O último a sobreviver é o grande vencedor.

O game é o mais popular do gênero battle royale, e seus gráficos e modo de jogo foram estrategicamente pensados para ganhar a simpatia até de quem não curtia tanto assim jogos de tiro.

Esquadrão do Clima

A ideia nasceu a partir de um tuíte da climatologista Katharine Hayhoe, diretora do Centro de Ciência do Clima da Universidade Texas Tech. No post, ela se dizia inconformada com a diferença de visualizações entre um vídeo sobre mudanças climáticas que ela havia publicado e um sobre uma partida de Fortnite, feita pelo seu filho de onze anos. Enquanto o dela acumulava mil visualizações, o dele já havia sido visto por mais de 10 mil pessoas.

O tuíte chamou a atenção de Henri Drake, doutorando em oceanografia física no MIT. Juntos, eles decidiram criar o “Climate Fortnite Squad” – um dos grupos de divulgação científica mais incomuns que você provavelmente já viu.

Funciona assim: eles convidam professores, pesquisadores e jornalistas da área para conversar sobre o tema enquanto compartilham ao vivo suas partidas de Fortnite dentro do Twitch, plataforma de streaming popular entre os fãs de jogos online.

A empreitada ainda é tímida. Até agora, eles contabilizam 18 lives em seu canal de vídeos; no Twitter, o número de seguidores é pouco mais de 400. No entanto, o grupo acredita que é necessário debater o tema, especialmente nos EUA, onde, segundo eles, a questão não é tratada com a devida importância.

E eles não estão errados. Segundo a reportagem do Verge, 28% dos norte-americanos não acreditam que o aquecimento global irá trazer consequências diretas para eles. Em 2017, o presidente Donald Trump anunciou que o país sairá do Acordo de Paris, que estabeleceu diretrizes para a diminuição de gases do efeito estufa. Desde então, jornais de lá noticiaram que a Casa Branca estaria tentando (sem sucesso) implementar leis menos rígidas com relação à poluição.

Habilidade x conhecimento

Em seus vídeos mais recentes, o “esquadrão” tratou de assuntos como o furacão Florence, que atingiu a costa leste dos EUA em setembro. Mas a coisa mais difícil para esses especialistas não é a complexidade do tema, mas sim como jogar bem, sem morrer logo no início da partida.

“No começo, éramos muito ruins nisso. Pedíamos a conversa assim que um de nós levava um tiro, então demorou um tempo para se acostumar”, diz Drake. Para ele, os jogadores são atraídos por boas jogadas, e aperfeiçoar a habilidade de jogo pode ser um bom caminho para o canal crescer.

Talvez seja por isso que, vez ou outra, os filhos dos convidados também entram nas partidas. Os vídeos são semanais e é possível enviar perguntas no bate-papo da plataforma, que serão respondidas ao vivo, conforme o jogo avança. Sejam bons em Fortnite ou não, já valeu pela iniciativa.