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O que é Auto-Tune?

Ele corrige imperfeições na voz de cantores e ficou famoso por ser usado exaustivamente por artistas consagrados – como Rebecca Black.

Por Da Redação Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
30 jan 2012, 22h00 • Atualizado em 6 mar 2024, 10h16
  • Rodrigo Ortega

    De Cher a Gal Costa, são cada vez mais adeptos do Auto-Tune, programa que ajuda cantores a chegar ao tom certo. Ele foi lançado em 1997 pela Antares, empresa criada por um veterano da indústria do petróleo chamado Andy Hildebrand. A experiência anterior não é coincidência. Hildebrand trabalhava com prospecção, ou seja, a busca pelo ouro negro debaixo da terra. A atividade consiste em emitir ondas sonoras no subsolo. Por meio do reflexo dessas ondas, é possível localizar petróleo. Então, Hildebrand notou que a interpretação rápida e precisa das ondas sonoras podia ser usada na música. Foi esse funcionamento que inspirou a criação do Auto-Tune. Seu uso pode ser discreto, disfarçando breves incorreções vocais, ou ostensivo, o que gera aquele som sintético típico das músicas do Black Eyed Peas. O exagero no Auto-Tune é controverso. “Comprometer uma performance 98% boa por causa de duas notas não vale a pena”, diz o produtor musical Kassin. Para ele, o excesso tira a naturalidade da voz. Mesmo polêmico, o programa já faz parte da música atual. Gal Costa, que trabalhou com Kassin, entrou na onda e ainda assumiu no título da música: Autotune Autoerótico. E o maior sucesso do YouTube em 2011 é um exemplo nítido do gênero. Com 180 milhões de visualizações, Rebecca Black ostentou o Auto-Tune nos versos pegajosos de Friday.

    Teste: Tente identificar quais músicas foram modificadas pelo programa

    Qual é o tom, maestro?
    O Auto-Tune mapeia e redesenha a voz do cantor. Pode fazer uma pequena cirurgia ou criar um monstro sintético que se espalha na internet.

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    LOCALIZAR
    Em até 10 milésimos de segundo (5 vezes mais rápido que uma piscar de olhos), o programa detecta os tons cantados e calcula a frequência das ondas sonoras usando uma técnica chamada autocorrelação. “Ela é usada para identificar os padrões de ondas sonoras”, diz Andy Hildebrand, criador do Auto-Tune.

    ENCAIXAR

    Depois de mapear, é hora de corrigir. Cada uma das 7 notas musicais e seus 5 tons intermediários correspondem a um nível de frequência. O Auto-Tune indica a escala de notas da música a ser trabalhada. Se algum trecho fugir dessa escala, ele reprocessa
    a voz, alterando a frequência, até chegar à nota mais próxima.

    CIRURGIA PLÁSTICA
    O Auto-Tune tem 2 modos de funcionamento. Na função automática, como o nome diz, ele trabalha sozinho. Já na função gráfica, a música é representada em um desenho, que pode ser manipulado nos trechos desejados, como se fosse um Photoshop da voz.

    A VEZ DAS GUITARRAS
    Guitarra desafinada é coisa do passado. Essa é a promessa do ATG, ou Auto-Tune for Guitar, com lançamento previsto pela Antares para 2012. O programa usa o mesmo princípio do Auto-Tune. A diferença é que no primeiro apenas 1 elemento era trabalhado: a voz do cantor. Agora, serão as 6 cordas da guitarra. Seis vezes mais trabalho. Falta só o botão “toca Raul”.

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    Ilustração: Bruno Algarve e Frederico Rubim

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