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O que são buracos negros?

Para os físicos, são corpos tão densos que engolem até a luz. Mas seus mecanismos ainda são uma grande incógnita para a ciência.

Reinaldo José Lopes

São corpos tão maciços e densos que sua ação gravitacional é capaz de engolir tudo, até a luz – daí o nome tenebroso. Eles são formados pelo colapso de estrelas de massa muito grande. “O buraco negro que existe no centro da nossa galáxia tem cerca de 3 milhões de massas solares, concentradas numa região da ordem do Sistema Solar”, diz George Matsas, do IFT (Instituto de Física Teórica) da Unesp.

Dá para perceber que essa é uma das características-chave de um buraco negro: a concentração de matéria numa área muito pequena. É isso que dá a esses objetos sua incrível potência gravitacional, tão forte que, para muitos físicos, o objeto distorceria o tecido do espaço e do tempo a ponto de abrir um buraco nele. Toda forma de matéria ou energia que ultrapassasse o chamado horizonte de eventos (a zona vizinha ao buraco negro, onde sua força gravitacional não é contrabalançada por influências externas) ficaria presa além dele para sempre. Ou será que não? “Classicamente, nada escapa do horizonte de eventos”, afirma Matsas.

EMISSÃO DE RADIAÇÃO

No entanto, há pesquisadores como Stephen Hawking que, ao incluir elementos da mecânica quântica (para a qual até o vazio pode produzir partículas “virtuais”) no estudo dos buracos negros, sugere que ele poderia emitir radiação, sem que seja possível determinar se ela vem de dentro ou de fora dele.

Por enquanto, as únicas maneiras de detectar esses corpos supermaciços não envolvem a hipotética radiação Hawking, mas o efeito gravitacional que eles têm sobre estrelas próximas (por exemplo, nos sistemas binários, em que uma estrela e um buraco negro orbitam juntos um centro de gravidade entre eles) ou a emissão dos raios X que vêm do chamado disco de acreção – o halo de matéria e energia que circunda o buraco negro e vai sendo lentamente engolido por ele. “Há várias evidências fortíssimas desse tipo”, afirma Matsas.