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Organizar estrelas é uma brincadeira milenar

Por 31 ago 1998, 22h00 | Atualizado em 31 out 2016, 18h34

Quais os critérios para agrupar as estrelas em constelações?

Surpresa. Não há critérios. Tudo não passa de uma brincadeira de ligar-os-pontos, que o homem faz há milhares de anos. Até porque as estrelas de uma constelação não têm ligação física. Nem perto umas das outras estão. “Até onde eu saiba, povos de todas as culturas imaginaram figuras no céu”, diz o físico Walmir Cardoso, presidente da Sociedade Brasileira para o Ensino da Astronomia, em São Paulo. Há registros históricos, do ano 3 500 a.C., que falam de constelações. A maioria das que reconhecemos hoje foram criadas pelos egípcios, mesopotâmios e chineses. Homens de todos os continentes, dos gregos aos índios brasileiros, viram objetos, animais e personagens mitológicos diferentes formados pelas mesmas estrelas (veja infográfico). Em 1928, a União Astronômica Internacional resolveu oficializar o costume milenar e loteou o céu em 88 constelações (reconhecidas pelos gregos). Cada uma ocupa uma área bem delimitada, servindo de referência aos astrônomos.

Escorpião, tartaruga, atiradeira

Em um mesmo pedaço do céu, três povos viram imagens diferentes.

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Como nós, há milhares de anos antes de Cristo, gregos, romanos, persas e árabes enxergavam um escorpião nestas linhas imaginárias ligando estrelas no céu.

Os índios bororos, do Mato Grosso, viam Antares como a pata de uma tartaruga.

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Para os povos aimará da Bolívia, a constelação é uma atiradeira.

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