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Startup taiwanesa desenvolve robôs que executam testes de Covid-19

Ferramenta ajuda a evitar contato entre equipe e paciente e poderia diminuir demanda por profissionais de saúde no setor de testagem. Entenda.

Por Carolina Fioratti - 25 ago 2020, 16h11

Existem diferentes tipos de testes capazes de detectar a Covid-19. O mais comum deles – e com maior taxa de acerto – é o RT-PCR, que procura pelo material genético do vírus nas células do paciente. As amostras são coletadas através de um cotonete gigante e flexível, chamado swab, que pode ser inserido no nariz ou boca. 

Quem já viu vídeos ou precisou fazer o teste para Covid-19 sabe que a sensação não é das mais confortáveis. Isso porque o swab, quando posto no nariz, deve atingir a parede posterior da nasofaringe, que está localizada um pouco antes do começo da orelha. Depois, o profissional que está executando a coleta deve girar a haste, deixá-la imóvel por dez segundos e retirá-la lentamente. Um processo que costuma ser meio incômodo.

O procedimento deve ser feito nas duas narinas, mas caso haja problemas no momento da coleta – ou se o paciente for criança –, é indicado a remoção do material de apenas uma cavidade nasal. A outra, deve ser obtida via oral, retirando material genético da parede posterior da faringe e da amígdala.

Swab nasal deve coletar material genético presente na parede posterior da nasofaringe. Shivendu Jauhari/Getty Images

O teste pode gerar crises de tosse e espirros no paciente. E mesmo com todo o aparato de segurança, como máscaras, luvas e protetores faciais, médicos e enfermeiros que estejam trabalhando no setor de testagem podem ficar vulneráveis a infecção, já que estão em contato direto com as gotículas de outras pessoas.

Pensando na segurança daqueles que estão na linha de frente, a startup de tecnologia médica Brain Navi, que tem sede em Taiwan, desenvolveu um robô que executa os testes de forma automática. E o melhor: sem necessidade de contato direto entre as pessoas. Veja o vídeo:

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Após o paciente encaixar um clipe no nariz e colocar o rosto no suporte metálico, a ação se inicia. O robô é equipado com uma câmera de reconhecimento facial, que indica a profundidade do rosto e mede a distância que o swab deve ser inserido.

Pode parecer um tanto assustadora a ideia de confiar um exame tão invasivo a uma máquina. Os desenvolvedores afirmam, porém, que a traquitana não erra nos cálculos, e é totalmente segura.

Depois que o cotonete é inserido na narina, segue-se o procedimento padrão: uma leve rotação na haste, dez segundos de espera e uma retirada lenta. Então, a amostra é guardada dentro de um tubo esterilizado, pronta para ser enviada para análise. 

Se você assistiu o vídeo até o fim, provavelmente enfrentou alguns segundos de aflição. A velocidade da máquina até o rosto pode assustar os pacientes, mas Zoe Lee, porta-voz da Brain Navi, explicou ao site The Verge que esta é uma questão de familiaridade. “Acho que as pessoas vão ficar com medo porque é uma coisa nova, mas isso é normal. Ouvimos o feedback e estamos descobrindo como reduzir essa sensação”, disse.

Além de diminuir o contato entre pacientes e equipe médica, o robô diminuiria a necessidade de médicos e enfermeiros nos setores de coleta. Isso porque, durante a pandemia, tais profissionais são essenciais nos setores de UTIs e emergências. Além disso, o robô da Brain Navi poderia ser usado em estabelecimentos comerciais e auxiliar até mesmo na testagem em massa de funcionários em empresas. 

Mas a ideia ainda possui alguns problemas que incomodam a comunidade científica. Apesar de a empresa prometer segurança na inserção do swab, não há nenhum tipo de sensor que avise caso a haste esteja encaixada de maneira indevida ou machucando o paciente. Pessoas com desvio de septo, por exemplo, podem enfrentar alguns problemas durante o teste. 

O robô foi apresentado pela primeira vez em julho, durante a exposição Bio Asia-Taiwan 2020. Por enquanto, foi testado apenas nos funcionários da Brain Navi e os resultados foram positivos. A aplicação do robô em ensaios clínicos do Ministério da Saúde e Bem-Estar de Taiwan foi aprovada. A empresa também está em processo de aprovação nas agências federais de saúde dos Estados Unidos e Taiwan para autorização de uso emergencial. O preço do maquinário ainda não foi divulgado.

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